Cultura

O girino é o peixinho do sapo.

O silêncio é o começo do papo.

O bigode é a antena do gato.

O cavalo é o pasto do carrapato.

O cabrito é o cordeiro da cabra.

O pescoço é a barriga da cobra.

O leitão é um porquinho mais novo.

A galinha é um pouquinho do ovo.

O desejo é o começo do corpo.

Engordar é tarefa do porco.

A cegonha é a girafa do ganso.

O cachorro é um lobo mais manso.

O escuro é a metade da zebra.

As raízes são as veias da seiva.

O camelo é um cavalo sem sede.

Tartaruga por dentro é parede.

O potrinho é o bezerro da égua.

A batalha é o começo da trégua.

Papagaio é um dragão miniatura.

Bactéria num meio é cultura.

Arnaldo Antunes
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Resgatador

“O Filho do homem não veio a terra para ser servido, mas para servir e dar sua vida em resgate de muitos” – disse Jesus. As palavras “resgate,“redenção” são sinônimas de libertação na Bíblia, por que o próprio conceito de resgate esta atrelado a alforria da escravidão, à aquisição da própria liberdade. Como outrora Iahweh salvara Israel e dele fizera o “seu povo”, assim a Igreja da Nova Aliança deve torna-se o “povo que Deus libertou”.

Mas o resgate, ou, como dizem os cristãos, a redenção, é algo ainda maior, é o retorno da Criação ao caminho traçado pelo Alto. Prisioneira do mal, a Criação, segundo as palavras de Paulo, “sofre e geme à espera da manifestação dos filhos de Deus”. O homem redimido não é retirado da Criação, mas a precede no caminho para os “céus novos e a terra nova”.

A chama do logos arde “nas trevas”, juntando-se lentamente ao mundo. Ao nosso reino de luta e divisão, Deus leva a força vitalizante da unidade, da harmonia e do amor. Como uma planta que se ergue em busca do Sol, a natureza toda está atenta ao chamado da Palavra.

Quanto mais o homem moderno toma conhecimento do nascimento do universo, mais claro fica para ele o quadro da Criação que sobe para o Alto como pelos degraus de uma escada. Com efeito, antes foram fincadas as estruturas, depois se início a vida e finalmente nasceu o homem. A luta não conhece trégua, a cada passo a serpente retrocede nas trevas e o esplendor se amplia.

Quando o homem renegou o desígnio de Deus sobre ele, a mesma Palavra se manifestou encarnando-se no “NOVO ADÃO”.

“Deus amou de tal modo o mundo, que deus o deu filho único”. Mas esta auto imolação de Jesus não podia deixar de ser uma tragédia. Aquele que entrou a fazer parte do mundo corrupto tornou-se necessariamente co-participante do sofrimento dele; desde então, a dor de todo ser será sempre a sua dor, o seu Gólgota. Entre os homens, o filho de Deus não encontraria triunfos, mas o sofrimento e morte. Embora sendo sem pecado, ele tomou sobre si todas as conseqüências do pecado (…).

“Quem, pois, acreditará no que ouvimos? A quem se poderá revelar o poder de Iahweh? Ele brotou como um rebento diante do seu rosto, com uma vergôntea da raiz fincada na terra árida. Não possuía nem aspecto, nem imponência que nos atraíssem para ele, nem magnificência que nos fascinasse. Ele foi desprezado e repudiado pelos homens, homem das dores que bem conhece o sofrimento, e nós não tivemos por ele qualquer estima, pensamos que fosse um paria. Mas ele havia tomado sobre si as nossas fraquezas, carregava o peso dos nossos males. Nós o julgávamos atingido, castigado e humilhado por Deus e, no entanto, ele fora ferido pelos nossos pecados, fora espancado pelas nossas iniqüidades. Sobre si ele tomou a punição para nossa salvação, fomos curados por suas feridas. Todos nós estávamos perdidos, cada um na sua estrada, como ovelhas abandonadas, mas Iahweh tomou sobre seus ombros o peso dos nossos pecados. Atormentado, foi manso; em meio aos suplícios, não abriu a boca. Como um cordeiro”. levado ao sacrifício, com ovelha diante dos tosquiadores, ele também não abriu os lábios…”. (…)

Jesus explica a sua missão referindo-se exatamente a esta profecia sobre o servo de Iahweh: “HOJE SE CUMPRIU ESTA ESCRITURA DIANTE DE VÓS”. (…)

Por amor a liberdade do homem, ele se encerrou no cárcere de um corpo, tornou-se naqueles dias “inferior ao Pai”, precisou de alimento e repouso, escondeu a si mesmo o futuro e viveu em si todo sofrimento do mundo. Tornou-se carpinteiro de uma cidadezinha de província, cercado por gente ignorante que trazia amiúde marcas evidentes do pecado; passou os seus dias na companhia de pobres, excluídos, pescadores e leprosos. Ele não possuía corpo de guarda nem conselheiros influentes. Poderia aquele homem ser realmente o Messias que o povo havia sonhado e esperado durante séculos?

MIEN, Aleksandr, 1935-1990 – Jesus, mestre de Nazaré: a história que desafiou 2000 anos; pág(s). 173 a 175 . Ed. Cidade Nova, 1998.

Aqui não existe natal!

Papai Noel velho batuta
Rejeita os miseráveis
Eu quero matá-lo!
Aquele porco capitalista

Presenteia os ricos
E cospe nos pobres
Presenteia os ricos
E cospe nos pobres

Papai Noel velho batuta
Rejeita os miseráveis
Eu quero matá-lo!
Aquele porco capitalista

Presenteia os ricos
E cospe nos pobres
Presenteia os ricos
E cospe nos pobres

Pobres, pobres…
Mas nós vamos seqüestrá-lo
E vamos matá-lo!

Por que?

Aqui não existe natal!
Aqui não existe natal!
Aqui não existe natal!
Aqui não existe natal!

Por que?

Papai Noel velho batuta
Rejeita os miseráveis
Eu quero matá-lo!
Aquele porco capitalista

Presenteia os ricos
E cospe nos pobres
Presenteia os ricos
E cospe nos pobres

MÚSICA: GAROTOS PODRES

Novo Destino

Uma das coisas mais estúpidas que já acreditei em termos de religião foi que a composição da população do céu podia ser mensurada pelo número de pessoas que dissessem sim a um apelo de conversão a Jesus Cristo feito nas bases da tradição do cristianismo protestante evangélico anglo-americano. Traduzindo: se você acredita que irão para o céu somente as pessoas que aceitam a Jesus como salvador depois de ouvir o evangelho pregado a partir da cultura anglo-americana, então você está em apuros: o seu céu é pequeno demais; o seu Deus é pequeno demais; o seu Cristo é pequeno demais; o seu evangelho é pequeno demais; o seu Espírito Santo é pequeno demais; o seu universo de comunhão é pequeno demais; seu projeto existencial é pequeno demais; sua peregrinação espiritual é pequena demais.

É urgente que se articule uma outra maneira de convocar pessoas para que se coloquem a caminho do céu. Uma convocação que considere que “nem todo o que me diz Senhor, Senhor, entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade do meu Pai que está nos céus” – palavras de Jesus. Uma convocação que re-signifique o conceito de céu, que deve deixar de ser um lugar geográfico em outro mundo para onde se vai após a morte, para significar uma dimensão de relacionamento com o Deus Eterno para a experiência contínua do processo de humanização: estar em Cristo, ser como Cristo, ser Cristo. Com isso quero dizer que o convite para aceitar Jesus como salvador como credencial para ir para o céu não é a melhor convocação. A melhor convocação é um chamado para se tornar uma outra pessoa. A peregrinação espiritual cristã não é uma migração de um lugar para outro, mas de um estado de ser para outro. Nosso destino não é o céu. Nosso destino é Cristo. E tenho certeza de que muita gente vai chegar lá mesmo sem nunca ter ouvido o plano de salvação desenvolvido pelos teólogos sistemáticos anglo-americanos.

Ed René Kivitz
via: Fora da zona de conforto

Espiritualidade

Li, no Journal for Advanced Practical Research sobre dois fascinantes projetos que estão sendo desenvolvidos por cientistas do M.I.T. Em decorrência dos problemas ambientais provocados pelo uso da energia os cientistas têm estado à procura daquilo a que deram o nome de ‘tecnologias suaves’, por oposição às ‘tecnologias duras’. Tecnologias suaves são aquelas que têm por objetivo produzir energia sem poluir e com um gasto mínimo ou nulo dos combustíveis.

Por exemplo: a produção de energia por meio de moinhos de vento ou de energia solar é macia porque nem polui e nem esgota recursos naturais. Já a produção de energia em usinas movidas a carvão é dura: esgota as reservas de carvão e polui. Preocupados com a crescente demanda de energia, a escassez de recursos e a poluição, os ditos pesquisadores estão trabalhando no sentido de produzir artefatos técnicos que não façam uso nem de energia elétrica comum, nem de pilhas e nem de energia nuclear. O primeiro projeto contempla a construção de um pequeno objeto produtor de luz, com essas características econômicas. Trata-se de um vaso de metal ou vidro, com boca afunilada como numa garrafa, cheio com querosene, do qual sai um barbante grosso e que produz luz quando uma faísca é produzida na ponta do pavio – nome técnico que se deu ao tal barbante grosso. A faísca, para ser produzida, dispensa o uso de fósforos. Basta que se batam duas peças de metal na proximidade da ponta do pavio. Do choque das duas peças de metal salta uma faísca que incendeia o pavio, produzindo uma chama amarelada suave. No momento o pesquisador está lutando com um problema para o qual ainda não encontrou solução: um cheiro característico desagradável, resultante da combustão do querosene. Mas, com os recursos da química, ele espera poder produzir chamas com os mais variados perfumes – o que permitirá que o dito artefato venha a ter o efeito espiritual dos incensos. Esse artefato dispensa o uso de pilhas e de energia elétrica tradicional, podendo ser usado em qualquer lugar.

O outro projeto procura produzir um aparelho de som que funcione sem pilhas e sem eletricidade, bastando, para isso, o emprego da energia humana e do efeito armazenador das molas: gira-se uma manivela que aperta uma mola que faz girar o disco que, tocado por uma agulha, produz som através de uma corneta metálica. Com esse artefato é possível ouvir música até no alto do Himalaia.

Nesse momento espero que o leitor já se tenha dado conta de que tudo o que eu disse é pura brincadeira. Cortázar fez coisa semelhante com a história invertida das invenções. Partindo do avião supersônico em que as pessoas nada vêem e ficam tolamente assentadas para chegar mais depressa, Cortázar passa por inumeráveis avanços intermediários, até chegar ao meio mais humano, mais saudável e mais ecológico de locomoção, ainda não descoberto: andar a pé. Claro, isso é pura brincadeira… Brincadeira, porque nenhum cientista iria gastar tempo criando o que já foi criado e abandonado, seja lamparina ou gramofone…

Criar! A criatividade é manifestação de um impulso que mora na alma humana. É isso que nos distingue dos animais. Os animais estão felizes no mundo, do jeito como ele é. Há milhares de anos as abelhas fazem colméias do mesmo jeito, os pintassilgos cantam o mesmo canto, as aranhas fazem teias idênticas, os caramujos produzem as mesmas conchas espiraladas. Não criam nada de novo. Não precisam. Estão felizes com o que são. O que não acontece conosco. Somos essencialmente insatisfeitos e curiosos. Albert Camus disse que somos os únicos animais que se recusam a ser o que são. A gente quer mudar tudo. Inventamos jardins, inventamos casas, inventamos culinária, inventamos música, inventamos brinquedos, inventamos ferramentas e máquinas. Michelângelo inventou a Pietà, Rodin inventou o Beijo, Beethoven inventou a 9ª Sinfonia.

Como é que a criatividade acontece? É preciso, em primeiro lugar, que haja algo que nos incomode. Por que é que a ostra faz pérola? Porque, por acidente, um grão de areia entrou dentro de sua carne mole. O grão de areia incomoda. Aí, para acabar com o sofrimento, ela faz uma bolinha bem lisa em torno do grão de areia áspero. Desta forma ela deixa de sofrer. Aprenda isso: ostra feliz não faz pérola. Isso vale para nós. As pessoas felizes nunca criaram nada. Elas não precisam criar. Elas simplesmente gozam a sua felicidade. Bem disse Octávio Paz: ‘Coisas e palavras sangram pela mesma ferida.’ Toda criatividade é um sangramento.

Como é que a criatividade se inicia? Já disse: inicia-se com um sofrimento. O sofrimento nos faz pensar. Pensamento não é uma coisa. O pensamento se faz com algo que não existe: idéias. Idéias são entidades espirituais. O espiritual é um espaço dentro do corpo onde coisas que não existem, existem. A Pietà, antes de existir como escultura, existiu como pensamento, espírito, dentro do corpo do Michelângelo. O Beijo, antes de existir como objeto de arte, existiu como espírito, dentro do corpo de Rodin. A 9ª Sinfonia, antes de existir como peça musical que se pode ouvir, existiu como espírito, dentro da cabeça de Beethoven.

O espírito não se conforma em ser sempre espírito. Que mulher ficaria feliz com a idéia de um filho? Ela não quer a idéia de um filho, coisa linda. É linda – mas enquanto espírito, só dá infelicidade. A mulher quer que a idéia de um filho – sentida por ela como desejo e nostalgia – se transforme num filho de verdade. Por isso ela quer ficar grávida. Quando o filho nasce, aí ela experimenta a felicidade. Uma idéia que deseja se transformar em coisa tem o nome de ‘sonho’. O sonho deseja transformar-se em matéria. A espiritualidade do espírito está precisamente nisso: o desejo e o trabalho para fazer com que aquilo que existe apenas dentro da gente (e que, portanto, só pode ser conhecido pela gente), se transforme numa coisa, que pode então ser gozada por muitos. A espiritualidade busca comunhão. Hegel dava a esses objetos, produtos da criatividade, o nome de ‘objetivações do espírito’. O caminho do espírito é esse: da espiritualidade pura e individual, para a coisa, objeto que existe no mundo, para deleite e uso de muitos. Os objetos, assim, são o espírito tornado sensível, audível, visível, usável, gozável. Uma canção só existe quando cantada. Um quadro só existe quando visto. Uma comida só existe quando comida. Um brinquedo só existe quando brincado. Um filho só existe quando parido. O espírito tem nostalgia pela matéria. Ele deseja fazer amor com a matéria. E quando espírito e matéria fazem amor, nasce a beleza. Deus não se contentou em sonhar o Paraíso. Se o sonho do Paraíso lhe tivesse dado felicidade ele teria continuado apenas sonhando o Paraíso. Deus não se contentou em sonhar o homem. Se o sonho do homem lhe tivesse dado felicidade ele teria continuado sonhando o homem. Mas ele (ou ela) só se deu por completo quando se transformou em homem: “… e o Verbo (sonho) se fez carne (corpo)”. O espírito quer descer, mergulhar…

Tão diferente daqueles que pensam que espiritualidade é o espírito se despegando da matéria, o corpo morrendo para ser só espírito, sem carne e sem sentidos, como se o material fosse doença, coisa inferior. Beethoven por acaso acharia que os instrumentos da orquestra são coisa inferior? Mas como? Sem eles a 9ª Sinfonia nunca seria ouvida! Nesse caso ele ficaria feliz com a sua surdez, porque então a 9ª Sinfonia permaneceria para sempre espírito puro! Michelângelo por acaso pensaria que o mármore é coisa inferior? Mas como? Sem o mármore a Pietà nunca seria vista e amada! E ele ficaria feliz se não tivesse mãos, porque assim a Pietà permaneceria para sempre espírito puro! Deus por acaso acharia que o corpo é coisa inferior? Mas como? Sem o corpo o Verbo nunca viveria como carne e ele, Deus, amaria a morte. Porque com a morte o homem permaneceria para sempre espírito puro…

Espiritual é o jardineiro que planta o jardim, o pintor que pinta o quadro, o cozinheiro que faz a comida, o arquiteto que faz a casa, o casal que gera um filho, o poeta que escreve o poema, o marceneiro que faz a cadeira. A criatividade deseja tornar-se sensível. E quando isso acontece, eis a beleza!

(Correio Popular, Caderno C, 10/09/2000)

Rubem Alves

O Diabo conseguiu!

Numa das cartas do Diabo a seu aprendiz, escrita em 1942, o tentador diz o seguinte:

“O que queremos mesmo, e desejamos muito, é fazer com que as pessoas tratem o cristianismo como um meio; de preferência, é claro, como um meio para o seu próprio benefício”.1


Não foi preciso esperar a chegada do terceiro milênio para descobrir que o Diabo conseguiu realizar o seu intento com o maior sucesso possível. Essa é a arma da maior parte das igrejas neopentecostais. Elas não cobram o preço do discipulado; sequer mencionam tal coisa. Porém, oferecem as vantagens da fé: pensamentos positivos, destemor, sucesso empresarial, prosperidade, bens de consumo, longevidade e seus congêneres. Curiosamente, a estratégia satânica está enchendo o mundo com novos templos cristãos, e enchendo os templos cristãos com novos fiéis. O fenômeno é tal, que vários pesquisadores estão se dedicando ao assunto e escrevendo sobre ele.

No início de agosto, o caderno “Mais!”, da “Folha de São Paulo”, publicou a análise de José Arthur Giannotti, professor emérito da Universidade de São Paulo e pesquisador do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento: “O novo crente não mantém com a igreja e seus pares uma relação amorosa, não faz do amor o peso da sua existência. Sua adesão não implica conversão, total transformação do sentido de seu ser. Apenas assina um contrato integral que lhe traz paz de espírito e confiança no futuro. Em vez da conversão, mera negociação. Essa religião não parece se coadunar, então, com as necessidades de uma massa trabalhadora, cujos empregos são aleatórios e precários?”.

Menos de quinze dias depois de Giannotti, foi a vez do escritor Carlos Heitor Cony: “Grande número de igrejas se apoia na atividade carismática, fazendo ou prometendo milagres instantâneos ou a curto prazo, bastando a fé em Jesus Cristo e o pagamento do dízimo” (“FSP”, 21/08/09, E16).

As demais igrejas evangélicas querem se proteger dessa generalização e, às vezes, encontram pessoas de fora que fazem isto por elas. É o caso do ombudsman Carlos Eduardo Lins da Silva, que critica as reportagens publicadas na “Folha de São Paulo”, que “deixaram de abordar aspectos fundamentais, como quais são os traços que distinguem a IURD de outras denominações evangélicas. Isso teria ajudado a evitar a percepção de alguns leitores de que a edição permitiu confundir a IURD com as demais” (“FSP”, 23/08/09, A8).


Quando publicou as “Cartas do Diabo a seu Aprendiz”, há 67 anos, C. S. Lewis talvez não imaginou que acertaria em cheio. O Diabo conseguiu fazer as pessoas procurarem o cristianismo não em busca da justificação (aquela bênção primária que significa o perdão de Deus), mas em busca de algum proveito secular. Hoje, somos obrigados a ouvir certas pilhérias irreverentes e incômodas. Por exemplo, um guia mirim de Natal, no Rio Grande do Norte, ao apresentar a imensa catedral da Igreja Universal do Reino de Deus, disse ao turista: “Esta é a Casa da Moeda daqui…” (“O Globo”, 22/08/09, 24). A “Folha de São Paulo” (13/08/09) publicou no “Painel do leitor” a carta de Victor Medeiros do Paço: “Os fiéis que contribuem com o dízimo vão para o paraíso celeste, já os dízimos vão para os paraísos fiscais”. O próprio Carlos Heitor Cony também faz uma piada: “Maomé terminou rico, tão rico como o Sr. Edir Macedo, só que não vendia espaço na televisão, mas camelos”.

Contudo, assim como a sociedade brasileira precisa separar o trigo (as igrejas seriamente comprometidas com o evangelho) do joio (as igrejas comprometidas com o mercado da fé), os evangélicos e o povo em geral precisam separar a bem fundada e desinteressada crítica ao movimento neopentecostal da crítica motivada por interesses simplesmente empresariais. Por exemplo, o seriado que a Globo está gravando em Salvador conta a história de alguém que depois de se converter ao evangelho decide fundar a Igreja Evangélica do Tremor Divino e passa a desviar parte dos dízimos em benefício próprio (“FSP”, 19/08/09, E8).

Nota : 1. Um Ano com C. S. Lewis, p. 51 (Editora Ultimato).
Fonte: Ultimato

Onde devo adorar?

Por: Joaquim Tiago

Quem faz parte da nova aliança, quem é o novo Israel de Deus?

O templo físico era referência de Deus sobre a terra no meio do seu povo. Em Jerusalém era o centro e foco sacerdotal dos sacrifícios pelos pecados. O foco das sombras que estava se apagando.

Havia uma revolução nos dias de Cristo na terra e por Cristo. A revolução do amor e dos milagres que estavam acontecendo fora do templo. Naqueles dias além da síndrome de outra destruição do grande templo, glória de Israel, advinda pelo medo dos novos dominadores, Cristo vem e traz uma informação importantíssima sobre um bom sinal e uma boa nova destruição do “templo”.

Ali em suas margens, havia crescido um comércio, uma feira, um covil de ladrões que é expulso a chicotadas pelo zelo do Mestre – “Aos que vendiam pombas disse: ‘Tirem estas coisas daqui! Parem de fazer da casa de meu Pai um mercado’!” (Jo 2.16) – Os judeus aficionados por sinais logo lhe pedem um, para comprovar tal autoridade em agir, pois alguém estava atrapalhando os negócios.

O sinal é este: “Jesus lhes respondeu: ‘Destruam este templo, e eu o levantarei em três dias’.” (Jo 2.19) – Para os judeus que tipo de sinal poderia ser este? – “Os judeus responderam: ‘Este templo levou quarenta e seis anos para ser edificado, e o senhor vai levantá-lo em três dias’?” (Jo 2. 20). Que tipo de pessoa poderia fazer essa afirmação ameaçadora? Como poderiam saber sem crer que o mestre haveria de morrer e ressuscitar ao terceiro dia.

Noutra ocasião após um outro dialogo de sinais e boas novas com os farizeus, no mesmo lugar, já na saída em suas portas e escadas, um repente de encantamento junto a um passeio turístico em Jerusalém toma os discípulos para com Jesus, nas margens do templo. Após mostrarem para o mestre toda estrutura formosa e imensa (Mt 24.1) são surpreendidos com uma afirmação demolidora do Mestre: “Vocês estão vendo tudo isto?”, perguntou ele. “Eu lhes garanto que não ficará aqui pedra sobre pedra; serão todas derrubadas”. (Mt 24.2).

Isaias, o profeta messiânico já havia anunciado e Cristo Jesus foi realmente “esmagado por causa das nossas iniqüidades” (Is 53:5); o templo que é seu corpo foi destruído e só no terceiro dia foi “reconstruído”, ressuscitado com glória.

Dois fatos ocorrem posteriormente já nas ações apostólicas registradas por Lucas envolvendo o tão famoso templo. Umas dessas é cura de um mendigo que ficava a sua porta (At 3:6-19;) depois com toda revolução crescente ocorre o julgamento injusto e calunioso de Estevão em (At 7). Tudo piorou só por que o cara falou que Deus não habitava (e nunca habitou) em templos (casas) feitos por mãos humanas como já dizia os profetas. Os sacerdotes resistindo à ação do Espírito Santo e ao novo ensinamento que estava se espalhando, condena ao apedrejamento Estevão e persegue duramente os apóstolos.

Muitas pessoas estavam convertendo e indo também ao templo cumprir obrigações, outros ainda seguiam suas tradições judaicas. Porém por volta do ano 60 d.C, já com o domínio total do Império Romano a vida judaica foi oprimida levando a uma enorme insatisfação entre as pessoas o que gerava violência esporádicas. Até que se rompeu uma revolta. As forças romanas, lideradas por Tito, arrasaram Jerusalém por volta do ano 70 d.C e posteriormente derrotando o último baluarte judeu em Massada 73 d.C.

O templo foi destruído, a glória foi tirada de Jerusalém, Deus não habitava mais no templo que não mais existia. Onde Deus poderia estar habitando sem templo? Deus habitou em todos os tempos não em casas feitas por homens.

O novo tempo


Chegou à hora (e já passou da hora!) em que irão/iremos adorar o Pai em Espírito e em Verdade, não é mais Samária ou em Jerusalém, não existe mais um local pré-determinado.

Chegou à hora do exercício da verdade, do exercício do ser.

Como adorar a Deus e ser o seu templo no tempo de Narciso? “É que Narciso acha feio o que não é espelho…” (Caetano Veloso).

Como adorar a Deus num tempo sem Deus?

Como sacrificar tempo sem tempo para ser sacrifício vivo e diário para o Senhor?

Como ser adorador se o ser de hoje é possuidor, consumista? Como ser adorador no trabalho se estamos cheios de inveja, egoísmo, tentando levar vantagem, aproveitar da boa vontade do próximo?

Como ser adorador na segunda-feira e esquecer que domingo é religioso?

Como ser adorador e preocupar com a essência deixando que a forma se molde a fome de justiça?

Como ser adorador em um mundo contemporâneo cheio de templos e com tanta falta de templos vivos onde o Espírito Santo habita nos convencendo a cada dia quem somos e por que devemos mudar.

O fato é que construímos outros templos em tempos hiper-modernos!

O sacrifício do novo templo e da nova aliança é sua (minha) vida. Sem renovação/mudança de atitude não veremos a Deus (Rm 12:1,2).

Cartão de (DES)crédito

Amorim

por: Joaquim Tiago

Satanás fez uma reunião no inferno para infernizar a vida por aqui; tiveram uma idéia: Criaram o CARTÃO de (DES)crédito, isso é o purgatório;

CARTÃO de (DES)crédito, isso é o purgatório, as pessoas sofrem no mar dos JUROS, e as financiadoras promovem a festa da realeza consumidora;

CARTÃO de (DES)crédito, já tem o seu? Passe em uma das agências de Satanáz e pegue também o seu passaporte para o purgatório neste mundo;

E o que os sofridos trabalhadores de lojas podem oferecer para poderem pagar seus sofridos cartões também é: (IN)dividimos ou INDIVIDAMOS você!

Saímos felizes com os produtos da ilusão de um purgatório infernal, vamos entrar brevemente nos círculos infernais de multas e rotativos;

Satanázzz, esta a solta aproveitando do Espírito Natalino. Cuidado! Neste natal pode nascer um monstro em suas sagradas boletas bancárias;

Angeli

E para finalizar essa história suicida, pague para entrar e reze para sair, porque o aliado do inferno é o: SPC, ficha suja você será, hahaha!

Apêndice:

SPC significa: Satanázzz Pode Cobrar! Ele vai cobrar, não adiante chorar…

Satanázzz: Pai da mentira

(DES)crédito: Achei isso aqui na rede, clik

Escola Avalanche 2010

Missão Avalanche é uma organização criada para treinar cristãos a fim de atuarem de forma relevante na sua geração, objetivando alcança-lá, compreendê-la e redimi-la através da contextualização da Palavra de DEUS.

“Afiai as pontas das flechas. Preparai os escudos. Reforçai a guarda. Colocai homens de sentinela. Colocai homens de tocaia. O Senhor jurou pela Sua própria vida que enviará guerreiros de longe e dará a vitória contra as muralhas da Babilônia.” (Jeremias 51:11-14)

informações: www.avalanchemissoes.org