Politicamente Incorreto

Por: Joaquim Tiago

Aristóteles (século IV a.C.) dizia que “o homem é naturalmente um animal político – e que – O objeto principal da política é criar a amizade entre membros da cidade.”

O homem é um animal social e político por natureza. E, se o homem é um animal político, significa que tem necessidade natural de conviver em sociedade, de promover o bem comum e a felicidade.

Na Idade Média, Santo Tomás de Aquino (Roccasecca, 1225 — Fossanova, 7 de março 1274) o mais expressivo seguidor de Aristóteles, afirma que: “o homem é por natureza, animal social e político, vivendo em multidão”.

São Tomás de Aquino adverte que a Boa Nova não é salvação apenas para a alma, mas de todo o homem, porque nele há o mistério e o sagrado. O mistério, porque o homem é ao mesmo tempo material e espiritual; sagrado, porque a existência não o atinge senão por sua alma. (Trocquer, 1960)

A política social do homem e as formas de relacionar foram mudando no decorrer da história, temos um período histórico registrado onde estas mudanças foram revolucionárias e convergentes para muitos pesquisadores. A chamada Idade Moderna é este período e ele compreende meados do século XV a fins do século XVIII, boa parte dos acontecimentos foram na europa, essa que veio influenciar nossa história e nossa cultura, veio nos explorar e catequizar.

Dentro desse período nasceram vários movimentos e ações proveniente das artes, ciências e da filosofia, são novas idéias e concepções de valores. Um dos movimentos mais fortes foi o ANTROPOCENTRISMO. Este movimento contestava a extrema supervalorização da fé cristã (“fé cega”) como ocorria na sociedade medieval, o denominado teocentrismo (Deus como centro). A tendência social ao antropocentrismo (homem como centro) é uma resposta valorizando a obra humana. Em nossos dias vendendo e comprando a obra humana.

Os influentes pensadores e artistas fizeram de tudo com o desenvolvimento do racionalismo. A política ficou laica (não religiosa) e se mostrarão de modo geral otimista em relação à capacidade da razão, e a capacidade do homem para mudar o mundo.

Nasce assim o mais famoso movimento que foi o RENASCIMENTO (séculos XV e XVI), que por sua vez inspirou-se no HUMANISMO, que é a valorização do homem pelo homem. Em nossa economia neo-liberal, a comercialização do homem pelo homem.

O humanismo renascentista propõe o antropocentrismo como libertação e evolução. O antropocentrismo é a cultura onde o homem vai estar no centro do pensamento filosófico, ao contrário do teocentrismo, que é a idéia de “Deus como centro do pensamento filosófico”. O antropocentrismo surgiu a partir do renascimento cultural moderno.

Criou-se assim toda uma política voltada a valorização do homem o que se tornou hoje uma política de exploração do homem, de comercialização do homem, de termos o homem como um cliente e cliente nós tratamos bem, “porque ele sempre tem a razão”.

Séculos de luzes e de razão, a ciência e a política avançaram em termos gigantes proporcionais em cada área. A área econômica se tornou o grande deus e a grande mestre do mundo. Vivemos, sobrevivemos e pensamos economicamente e a ecônomia é dona da ideologia de vida, o ter esta no lugar do ser. Nessa virada conceitual o homem não pode ser incomodado, o erro tornou-se virtude e cada verdade deve ser respeitada na pluralidade global de todas as verdades.

Estão tentando transformar Deus em um objeto político e correto para também servir a todos. No período medieval de densas trevas os homens tentaram colocar Deus a serviço da religião, hoje em outro extremo estão tentando colocar Deus a serviço do homem e da economia.

Em nossa polis e em nosso convívio social Deus tem que caber aos modos do bem estar, sem incomodar, sem separar. Querem tornar Deus o cabo eleitoral político de campanha onde cada um pode ganhar a eleição. Nessa eleição os fins justificam todos os meios que usaremos para estar bem um com o outro e principalmente consigo mesmo.

Como seres sociais e assim políticos, o que é hoje para nós correto? O correto socialmente para promover o bem estar, o bem comum e a felicidade de todos?

Como o homem pode saber o que é correto para o homem? Como os homens hipermoderno pode realmente saber o que é realmente correto para o homem?

Numa sociedade consumista e individualista o que é socialmente correto é proteger a opinião e negociar para ganhar atenção. O correto é explorar e reter. O correto é valorizar o homem, seu conhecimento empírico e racional, e sua ética de exploração do outro pelo outro.

Mudamos a linguagem e mudamos os conceitos, a nova era aquariana trouxe o amor livre, e os tabus foram quebrados e os extremos foram banidos partindo para outros extremos, toda sociedade foi questionada e a mentalidade mudada. O homem continuou a sonhar e agora os sonhos foram transformados em consumo. Nessas novas mudanças temos uma nova política de vida social dentro da aldeia global, temos um novo vocabulário para o que é o erro.

Para muitos o vocabulário correto é valorizar e comercializar a amizade do homem em detrimento do que é a verdade de vida. Quem sabe o que é realmente correto? Nós não queremos falar e em muitos casos nós não sabemos o que é, ou o que nós sabemos é o que é socialmente aceito.

Para Frei Betto todos os pecados capitais, sem exceção, são tidos hoje como virtudes nessa sociedade neoliberal corroída pelo afã consumista.

“A inveja é estimulada no anúncio da moça que, agora, possui um carro melhor do que o de seu vizinho. A avareza é o mote das cadernetas de poupança. A cobiça inspira todas as peças publicitárias, do Carnaval a bordo no Caribe ao tênis de grife das crianças. O orgulho é sinal de sucesso dos executivos bem sucedidos, que possuem lindas secretárias e planos de saúde eterna. A preguiça fica por conta das confortáveis sandálias que nos fazem relaxar, cercados de afeto, numa lancha ao Sol. A luxúria é marca registrada da maioria dos clipes publicitários, em que jovens esbeltos e garotas esculturais desfrutam uma vida saudável e feliz ao consumirem bebidas, cigarros, roupas e cosméticos. Enfim, a gula subverte a alimentação infantil na forma de chocolates, refrescos, biscoitos e margarinas, induzindo-nos a crer que sabores são prenúncios de amores.”

Nós como seres tão sociais que somos como reagiremos, como nos posicionaremos? O que é o pecado para nós? Seremos tão corretos politicamente usando uma linguagem neutra ou seremos incorretamente amigáveis?

Jesus é o caminho da verdade e da vida, a vida em Cristo não é politicamente correta, ela INCORRE pelo que chamam de correto neste sistema onde temos o homem como centro e deus. O correto em Cristo é negar o antropocentrismo do eu, do ego; abandonando também essa religião luciferiana.

Pois o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor. Rm 6:23

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