Por: Joaquim Tiago

“Ninguém nunca viu Deus. Somente o filho único, que é Deus e está ao lado do Pai, foi quem nos mostrou quem é Deus.” Jo 1.18

Todos os anos no mês de dezembro é comemorado o natal, principalmente por aqui em nossas terras. Este é o período que conhecemos como a época natalina. Foi Roma que instituiu o feriado desde as eras do império.
A palavra natal significa o dia do nascimento, neste caso esta se comemorando o nascimento de Jesus Cristo. O menino Jesus que nasceu em Belém e logo foi acomodado em uma manjedoura que também é conhecido aqui em nossas terras como cocho, um tabuleiro de madeira ou de pedra em que se põe comida para os animais nas estrebarias.
Mas quem é Jesus Cristo? Porque tanta comemoração, qual sentido de todo esse festejo que vemos nas ruas, nos shopping, nas lojas, nos supermercados e também nos camelódromos de importados do Paraguai.
Será que sabemos mesmo o que estamos comemorando? Existem outras figuras fantasiadas participando do desfile de alegorias, de vermelho, de árvores, bolas, luzes e estrelas. É o espírito natalino possuindo nosso mundo com uma onda de certa boa vontade, de bem querer e de um apetite insaciável na mesa da ceia de glutonaria.
O que faz valer o natal do feriado de dezembro? O perigo que corremos, quando não paramos na frenética vida atrás de uma liquidação é a falta do bom senso. Para tentar fazer valer o que se esvazia de valor, em muitos casos existe mais morte do que nascimento.
Então, antes que você saia correndo para comprar o presente que esqueceu e deixou para agora, vamos lembrar alguns detalhes do aniversariante.

1. Jesus o filho de José e Maria

A espera do mundo por Jesus Cristo levou Jerusalém a esperança do libertador.
O libertador foi anunciado à menina Maria que logo após entender e engravidar milagrosamente foi rápido visitar Isabel que também estava grávida de três meses de João. O parente era o futuro sacerdote do deserto que iria prepara o caminho do Mestre. É neste momento que Maria expressa o cântico de louvor mais lindo das escrituras sagradas. (Lc 1.46)
O noivo José assustado planeja deixar Maria que ainda não havia se desposado com seu futuro marido. Mas ele era um bom moço, o que sempre foi raro, o anjo revela quem é o filho que esta no ventre de sua jovem amada. A agraciada portava o futuro do mundo, a salvação estava sendo preparada para se amamentar da humilde mãe.
Por causa de um recenseamento, o senso do imperador Cezar Augusto, José subiu da Galiléia até a cidade de Nazaré, cidade de Davi chamada Belém, o jovem além de bom moço era de uma linhagem familiar real. O motivo real do império cair era nascer o futuro rei que iria começar o Reino de Paz!
Ali chegou o tempo de Maria dar Luz, chegou às portas do menino nascer. O verbo se fez carne, o amor tomou forma e se manifestou no parto e no choro.
Os magos astrônomos procuram pelo o Rei dos Judeus e Herodes fica sabendo desse interesse, dessa gente em seu território. Incomodado o tirano manda chamar os magos e pede uma encomenda: quando eles voltarem deveriam avisar onde este recém nascido rei foi concebido. Mas os magos não tinham esse ofício só de brincadeira e logo sacaram a intenção e decidiram tomar outro caminho.
Após 8 dias, conforme a cultura judaica em que seus país foram criados e obedeciam, Jesus Cristo foi apresentado no templo. Simão viu a Salvação e ora agradecendo a Deus sabendo que já podia descansar, mas antes deixou um aviso: “esse menino vai dar muito trabalho e pede sua mão para prepara o coração, uma espada iria atravessá-lo.”
Em mais uma visita do mensageiro o aviso de cuidado era para fuga, os pais deveriam ir para o Egito, pois a tirania de Herodes não teve fim e resolveu ele garantir a qualquer custo seu poder dominador matando todos os recém nascidos daquela região. Depois da morte de Herodes, da morte da tirania e do poder eles voltam a Israel.
A volta é para as regiões da Galiléia numa cidade chamada Nazaré. Jesus crescia, fortalecia ficando cheio de sabedoria. Todos os anos José e Maria ia a festa do Pesah, eles eram judeus piedosos e cumpria as tradições. Jesus Cristo não era cristão, era judeu!
Aos 12 Jesus faz o seu bar-mitzvah e tornou-se um “filho do mandamento” pessoalmente responsável por guardar a Torá dada por Deus a Moisés no Sinai. Nesta ocasião os ouvintes ficaram admirados com o conhecimento do garoto, pois respondia com outras perguntas as mesmas feitas por mestres. Podemos até imaginar em uma linguagem contextual as indagações do tipo: “da onde saiu esse menino gente?”

2. Jesus o filho de Deus

O filho de Deus cuidado por José e Maria começa o ministério por volta dos 30 anos. Deus começa com Jesus Cristo a cuidar de mudar a história não só de pessoas, mas de todo o mundo.
João Batista quando vê Jesus afirma para seus discípulos: “Eis o cordeiro de Deus. É ele que vocês devem seguir.” (Jo 1,29-36). O batizador João abre as portas de entrada onde vê descer sobre o Filho o Espírito Santo em forma de uma pomba e o Pai exclamando seu amor em um tempo só na forma e na voz. Como Deus amou tanto o mundo que assim se vê concretizar, se anelar com a criação.
Jesus ao se aproximar de Pedro lhe faz o convite da amizade que lhe faria no futuro desistir dos peixes para optar por homens e continuando Jesus convida mais discípulos. (Jo 1.42)
Os sinais os acompanham e neles milagres, à começar e um casamento, o ministério entra em atividade constante. E Jesus andou, caminhou, ouviu a muitos, trabalhou, foi aqui e foi longe, não tinha onde recostar sua cabeça, foi errante e o povo esteve com ele e pediu, alimentou, aprendeu. Esteve com pessoas em lugares não bem freqüentados, conversou com pessoas incomunicáveis, provocou, libertou da morte quem já estava condenado, foi tocado por todos e no meio da multidão por uma só pessoa com sua fé, parou cuspiu no chão, fez barro passou no olho mandou lavar e curou. Continuou amigo, dormiu em meio á tempestade fazendo parte da tripulação no mesmo barco da vida dos seus, gostava de uma boa ceia, sentava-se a mesa, com os cálices partilhavam cada momento de boas conversa e ficou como marca registrada o jeito de partir o pão e mesmo quem não o conhecia afirmava – realmente esse é o filho de Deus.
Amado e odiado, a ordem religiosa zelosa tentou sair com uma explicação por quem ele realmente estava agindo. Uma pessoa como Cristo não podia aos olhos dos “puros” religiosos ser admitido como o enviado, mas não tinha mais como negar os acontecimentos, só dando a ele outro deus por quem agia.
Mas como ele agia? Será que contra o próprio reino desse deus expulsando os seus de pessoas? Não, claro que não, “é pelo poder de Deus que Cristo expulsa demônios e essa é a prova de que o Reino havia chegado” onde o outro reino começa a perder todas as suas forças. (Mt 12.28).
Ele foi o messias esperado, mas não reconhecido. A voz do povo tomava várias formas e Jesus quer saber com os seus como ele estava sendo conhecido, depois de vários relatos será que seus discípulos já sabiam? “E vocês? Sabe quem sou?” A afirmação de Pedro firma a pedra da igreja onde ela vai ser construída e edificada, o fundamento agora está posto e não pode ser mudado – “O Senhor é o Messias, o filho de Deus vivo.” (Mt 16.16)

3. Jesus em nós, nosso novo Adão, nosso primogênito.

Nicodemos, um dos líderes dos judeus e membro da ordem religiosa dos fariseus, a mesma que também o perseguia, entregou os pontos reconhecendo que Ele é o mestre, pois ninguém podia fazer aqueles milagres sem Deus. Jesus confirma e afirma que ninguém podia ver o Reino de Deus se não nascer novamente.
O filho é o primeiro entre muitos irmãos. O filho de Deus teve família, habitou entre nós e mostrou como pode esse humano ser, parafraseando Boff – “E de tão humano só poderia ser Deus.” O primeiro humano falhou, mas o segundo é perfeito e Nele estão escondidas todas as coisas, para Ele tudo foi feito. (Rm 8.28)
Cristo nasceu e agora é nosso novo nascimento, em nós é a nova consciência, a nova natureza. Não precisamos mais da condição de Adão, Cristo é nossa nova condição de vida, o modelo para o discípulo. Cristo em nós é a esperança da glória, não só da salvação, mas do viver como um salvo de uma condição de morte para a vida, parafraseando Paulo – “o viver agora é Cristo.” (Gl 2.20)

Qual é o nosso natal?

As compras, os presentes, o espírito natalino que mais se parece (ou é mesmo) o consumismo? Que nascimento devemos comemorar?
O novo nascimento!
Qual é o significado do nascimento de Cristo para você? Jesus nasceu, veio ao mundo e o que pessoalmente significa? O que esse acontecimento milagroso e divino fez em mim e na minha natureza?
“Deus nos revelou quem Ele é e como o homem deve ser na pessoa do seu filho.” (Lausane)
Não adianta comemorar o nascimento de Cristo sem Ele antes nascer no coração.
Cada vez que Cristo nasce em nós o velho homem morre e eu mudo de natureza, mudo de Reino, me torno humano, espiritual e uma nova pessoa.

“Cristo em nós a esperança da glória.” (Cl 1.27)

Neste natal eu desejo a todos um Novo Nascimento em Cristo.
Joaquim Tiago Bill e família.
Dezembro de 2010
outra publicação: nascer_de_novo
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Um comentário sobre “Nascer de Novo

  1. Só um desabafo aqui: se eu pudesse, adormeceria no dia 23 de dezembro e só acordaria no dia 3 de janeiro. E colocaria minha filha pra dormir também, só pra não termos que ver tudo que acontece nessa época. Natal nao é nada disso que se vê. As coisas parecem piorar a cada época. Por isso eu não gosto de natal, nem de reveillon, que nada mais é do que o passar do tempo, o que para nós, cristãos, é graça, é a volta de Jesus mais próxima, e é também mais compromisso, mais comprometimento de nossa parte com a Palavra de Deus, com Jesus. Não sou nada, nem ninguém, apenas uma pessoa querendo seguir Jesus neste mundo, e me sinto um tanto impotente nesta época, incapaz de nadar contra essa onda de consumismo, de falso brilho, em que nem se sabe direito o que se comemora, e em que a igreja mais parece se igualar ao que é mundano. E o reveillon, que coisa mais estranha, flores no mar, sete pulinhos, beber até cair, fazer promessas que não se vai cumprir. O que é o tempo? Para Deus, mil anos são como um dia.

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