Por: Joaquim Tiago

“E consideremos uns aos outros para nos incentivarmos ao amor e às boas obras.” (Hb 10.24)

O poeta viu na comunhão a fonte da sua inspiração para expressar através de alegorias e exemplos sublimes o que acontece quando os irmãos estão em único sentimento. O poeta buscou na prática de seu sacerdote, do seu ancestral porta voz do Senhor a figura em forma de êxtase recebendo a presença do Poderoso, como óleo que desce a barba de Arão. O poeta ainda olhou para geografia de sua terra e como sabe que vislumbre causa o orvalho que desce do monte Hermon, ele desce e vai trazendo vida sobres os montes de Sião, como a nascente do São Francisco na Serra da Canastra, as montanhas de Minas e vai levando vida até onde pode chegar. Assim é a comunhão dos irmãos, assim é agradável quando os irmãos convivem em união. Esse é o cântico Davídico de peregrinação do Sm 133.
Congregar é um verbo, é uma ação que não pode ser feita apenas por uma pessoa, é um ação em transição e pede complemento. Significa juntar, reunir, convocar. No grego é EPISUNAGÔGEN, e no texto de Hb 10.25 pode-se traduzir a frase para: “não negligenciemos o estarmos juntos na Sinagoga”. “Hillel disse: ‘Não se separem da comunidade’.” (Stern, p. 767)
O VT fala da assembléia e da congregação, o NT fala da EKKLÊSIA (comunidade dos chamados para fora, ‘igreja’) e do corpo do Messias, e ambos falam do povo de Deus.
A ênfase do VT está no destino histórico comum do povo de Deus e na necessidade de tratarem com justiça e misericórdia mútua. O NT ordena os crentes a amarem uns aos outros de maneira reais e práticas, e que edifiquem-se junto ao corpo do Messias. (Stern, p. 767) Isso logo requer de cada um o envolvimento, relacionamento e comunicação pessoal, e que trabalhem juntos pelo Reino de Deus, esses desafios tornam-se impossíveis caso a comunidade de Cristo não se reúna com regularidade e frequência.
O maior desafio que temos como comunidade De Cristo para 2011 é congregar e agregar.
Quão desagradável e ruim quando não temos comunhão e só rituais de uma religião sem vida.
“Instituição mortas leva os jovens de hoje a jogar fora o ‘bebê’ (comunhão, o companherismo e a cooperação) junto com a água do banho (frequência no culto sem a comunhão genuína). (Stern, p. 768)
As reuniões, ritos e programações são expressões da comunhão, Jesus abriu o novo e vivo caminho, o novo templo. Agora o que nos falta?
Precisamos termos como meta e desafio para 2011 o congregar. Mas como faremos? Para isso precisamos encarar três perguntas:

1. Quando que realmente congregamos?

Participando da vida do outro (se ele deixar) e da comunidade de Cristo

“Pensemos uns nos outros a fim de ajudarmos a todos… as boas obras.” (Hb 10.24)

2. Porque as pessoas não querem congregar, ajuntar, participar conosco? Onde falhamos na participação?

“Encorajar, animar uns aos outros.” (Hb 10.25b)

O que temos para encorajar o outro? Quais as palavras e atitudes que podem levar o outro a se inspirar? Deveríamos agir como Paulo, imitem a minha fé, a minha confiança, sede meus imitadores como eu sou de Cristo, olhe para mim!

3. O que acontece quando deixamos de congregar com a comunidade De Cristo?

  1. Procuramos congregar com outras pessoas ou em alguns casos raros com outra comunidade de Cristo;
  2. Cultivamos ou sofremos com o EGOISMO e a solidão “amiga do peito, em de tudo que eu tenho direito” (Frejar), o que é causa-morte;
  3. Se sofremos com a cultura sem Deus procuramos um lugar de rituais onde não temos necessariamente que envolvermos com ninguém e só com as práticas ritualísticas;
  4. Passamos a congregar com os iguais que não nos atrapalha ou com as redes sociais virtuais onde podemos nos disfarçar e viver uma mentira;
  5. Perdemos a dimensão do outro ficando amargos, angustiados e assim por isso a muito doentes e fracos, faz-se da ceia o indigno; (ICo 11.29-30)
  6. Saímos do corpo, perdemos Cristo e não temos mais o Cabeça.
O autor da carta aos Hebreus no cp. 10 faz três apelos a comunidade e todos eles é para que cheguem perto de Deus e fiquem firmes, são os tais:
1º Confiança – v.22
2º Esperança – v.23
3º Amor – v.24-25
Muitos voltaram atrás, muitos desistiram e outros estão congregando em outros lugares, se entregaram aos rituais sem vidas e algumas formas de culto sem Cristo, sem sua palavra.
E nós? Para onde nós iremos? O que faremos como participantes? Com quem teremos comunhão, onde partiremos o pão? Vamos voltar atrás?

“Nós, porém, não somos dos que retrocedem e são destruídos, mas dos que crêem e são salvos.” (Hb 10.39)

Lutaremos até o fim e permaneceremos juntos com Cristo e seu corpo, sua comunidade.

Feliz 2011!

Caminharemos juntos a estrada da fé!

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Bibliografia
STERN, David H. – Comentário Judaico do Novo Testamento – Ed. Atos e Templus, 2008.
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3 comentários sobre “O Desafio de Congregar

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