por: Joaquim Tiago

Você já passou por necessidades do tipo individamento financeiro, perceguição no emprego, violência familiar, briga com o professor, vizinhança que pertuba, e outra situação em que só uma mudança poderia ser a saída?

Você já se viu em um lugar que somente com uma fuga daria para resolver o problema?

A ida para um outro país, para um outro estado, para um mosteiro, para uma outra igreja, para a boêmia (“aqui me tem de regresso”), para morar sozinho…

A história do filho pródigo é uma das mais contadas em todos os tempos, fazia parte da culltura judia, Jesus a narra para os farizeus (Lc 15). A história como muitos já sabem conta a saga de um filho em crise existêncial que mesmo estando aparentemente bem resolve sair de casa para “aproveitar a vida”. Nesta casa havia dois filhos e esse rapaz pródigo era o mais novo. Ele pede ao pai o adiantamento da herança para poder ir para uma terra distante. Partir para o mundo, sair sem rumo, pegar uma carona até o próximo posto de gasolina, fugir…

Acredito que esse rapaz tinha um sonho comum de liberdade, queria tentar bater azas e foi em busca da tal da felicidade e essa fora dos olhos do pai. O filho foi buscar o sentido da vida fora do que já existia ali na fazenda ou qual é razão de ser, ou como muitos que conheço, saiu sem rumo mesmo, “sem lenço e sem documento”.

Ele foi e acabou sofrendo as consequências. Gastou todo dinheiro com irresponsabilidade, esteve nas melhores boates e com garotas de programa como conta história (Lc 15.13;30). Mas um dia o dinheiro acabou, o cartão e o cheque especial estorou o limite e foi bloqueado, já não hávia mais crédito, nem na padaria da esquina e esse moço começou a sofrer com as consequências de suas aventuras de como tentar achar respostas.

Naquele tempo uma grande fome estava se espalhando sobre a terra, uma onda de desemprego e escassez na economia onde ele veio a passar necessidades (Lc 15.14). Como ele entendia de fazenda procurou emprego com o dono de uma que o mandou cuidar dos porcos, algo complicado para um judeu. Sua fome chegou a tal ponto de querer a comida dos porcos, mas nem essa ele pode experimentar (Lc 15.16).

Do que este jovem estava fugindo? O que seu pai representava?

O Pv 4.23 nos ensina a cuidar bem do coração, porque dele depende toda a vida, lê-se coração aqui com nosso espírito e nossas faculdades mentais e emocionais.

Somos pessoas de natureza inconstante, temos muitos desejos e quase todos eles são incentivados por esse sistema mundano de consumo. Decidimos uma coisa e fazemos outra e estamos sempre enfrentando uma crise porque desejamos demais.

Esse jovem certamente não sabia o queria da vida e sua certeza no momento era deixar o pai de lado para fugir. As vezes agimos assim também com Deus, acabamos deixando o pai de lado porque não sabemos o que queremos da vida e nem de Deus.

O que fazer com o desejo realizado?

A herança não foi negada, talvez ele insistiu até o pai aceitar, o pai foi justo e atendeu. A paternidade não foi negada. As vezes queremos tanto uma coisa e no final se a temos já perdemos. Pedimos e até termos algo de Deus como um dom, mas como usá-lo?

Quando ele caiu em si teve sorte por não ser tarde de mais, mesmo vivendo uma vida de miséria teve clareza de sua situação. Enquanto estamos bem, o dinheiro ta rolando, ainda não escorregamos, temos saúde, vamos levando, vai gastando a vida até que se quebre a cara e volte-se ao juízo (Lc 15.27). Ai surge o pensamento: Na casa do meu pai eu posso ser gente novamente, não preciso fingir e nem pagar por isso, posso existir sem ter que disfarçar. Muitos não tem a mesma sorte e não consegue voltar, principalmente os que conhece o entorpercente crake.

Dinheiro é poder, uma entidade que da uma certa força para existência, mas um dia a festa acaba e o jovem novamente foi bater no chiqueiro da crise existêncial.

A principal parte dessa história foi a atitude que ele tomou, foi humilde em reconhecer de onde vei e onde estava.

Você esta fugindo do seu pai?

Quando você pensa em sair de casa ou mudar pra bem longe ou mesmo quem já esta distante, como você faz para suprir a falta de um pai? Todo jovem quer ser independente, ter suas responsabilidades e arcar com elas.

O Pai nosso de cada dia não é simplismente nosso pai biológico. Quantos de nós não queremos a mesma coisa, ter uma vida idependente, sem precisar recorrer ao Pai Celestial e ai fugimos, mudamos de uma lugar para outro arrumando uma saída. Quando não há dependência relacional passamos pelo processo de cumprir um ritaul sem vida. Que dia vamos cair no juízo e arrepender, sair desse chiqueiro existêncial. Na casa do Pai de Jesus a alimento para o espírito.

A herança já nos foi dada pela graça, temos a vida e essa é uma boa recompensa. Agora o que faremos com ela?

Nosso Pai não é um pai que simplismente abandona o filho a própria sorte poupando a si mesmo de mais uma grande dor de cabeça. Essa é a história do Senhor nosso Deus, um pai apaixonado pela sua criação. Ele esta esperando, um dia o filho voltar para fazer uma festa, se alegrar com o retorno do filho a comunidade esperitual.

Jaco mentiu para seu pai Isaque, mas não conseguiu mentir para Deus.

Onde você esta agora como filho? Pense na herança que o Pai lhe deu, sua vida, o que você esta fazendo com ela? Onde esta gastando sua herança? Do que você esta fugindo?

Seu Pai esta lhe esperando, esperando sua volta, a uma festa preparada para você (Lc. 15.32).

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2 comentários sobre ““Na casa do meu Pai há muitas moradas”

  1. O imaginário brasileiro, não saberia dizer ocidental é permeado com o amor materno, há poucas referências em nosso cotidiano que as características amorosas como o Evangelho nos apresenta a respeito do amor de Deus, seja de fato associadas a figura paterna, o Pai bíblico se tornou um ideal um tipo de pai buscarmos na transcendência. Quantos de nós não tentamos convencer alguém um dia para buscarmos a verdadeira paternidade em Deus, mas quanto a mãe isso não é tão corriqueiro. Há uma das mais belas canções populares brasileiras que fala sobre esse amor materno, que poderíamos aplicar a experiência do prodigo e não é somente esta canção, a vivência do homem sertanejo, o homem do campo parece ser marcada por essas despedidas em busca das oportunidades na cidade, é a canção Fogão de Lenha de Carlos Colla, Mauricio Duboc e Xoróro interpretada pela duplha Chitãozinho e Xoróro:

    Fogão de Lenha

    Espere minha mãe estou voltando
    Que falta faz pra mim um beijo seu
    O orvalho das manhãs cobrindo as flores
    Um raio de luar que era tão meu
    O sonho de grandeza, ó mãe querida
    Um dia separou você e eu
    Queria tanto ser alguém na vida
    Apenas sou mais um que se perdeu
    Pegue a viola, e a sanfona que eu tocava
    Deixe um bule de café em cima do fogão
    Fogão de lenha, e uma rede na varanda
    Arrume tudo mãe querida, que seu filho vai voltar
    Mãe eu lembro tanto a nossa casa
    As coisas que falou quando eu saí
    Lembro do meu pai que ficou triste
    E nunca mais cantou depois que eu partí
    Hoje eu já sei, ó mãe querida
    Nas lições da vida eu aprendi
    O que eu vim procurar aqui distante
    eu sempre tive tudo e tudo está ai

    Essa morada perdida amigo Bill, é um lugar não somente existencial, mas concomitantemente espiritual, e com muitas referências a nossa sociedade que não nos incluiu como cidadão pleno de fato nesse modelo de mundo que jaz no maligno, se me permite ser um pouco menos ortodoxo, precisamos experimentar esse amor tanto paterno de Deus quanto materno. Um forte abraço meu pastor e amigo Bill.

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  2. Concordo plenamente caro amigo, e sua ajuda é de fundamental relevância, convivo com esse drama diariamente no exercício do pastoreio, pessoas com dificuldades paternais.
    Essa letra é linda, grande abraço querido!

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