charge ostentacao

“Jesus respondeu: ‘Meu Reino não consiste naquilo que pode ser visto. Se fosse, meus seguidores lutariam para que eu fosse entregue aos judeus. Mas não sou esse tipo de rei, não um rei conforme o mundo’.” (João 18,36)

Nas minhas aulas de antropologia meu sábio professor, missiólogo, nos ensinava que a cultura são as lentes que nos faz enxergar o mundo, os óculos que abre nossos olhos para entender a realidade. Deus não tem cultura, Ele esta acima de qualquer cultura, nós é que temos e fazemos nossa cultura, mitos, costumes, religiões, doutrinas, repetições milenares, disciplinas. Deus pode comunicar conosco através da cultura, usar a cultura para nos falar de forma que entendamos e na sua ação mudá-la.

A palavra costume se diz em grego: ethos – donde temos também a palavra ética. Em grego, existem duas vogais para pronunciar e grafar nossa vogal e : uma vogal breve, chamada epsilon, e uma vogal longa, chamada eta. Ethos, escrita com a vogal longa, significa costume; porém, escrita com a vogal breve, significa caráter, índole natural, temperamento, conjunto das disposições físicas e psíquicas de uma pessoa.

Todos os costumes que temos estão profundamente relacionados aos valores que cultivamos, a ética que temos ou que nos é proposta por nossa sociedade e fazem parte da nossa cultura e como enxergamos o mundo em nossa volta – Exemplo: No Brasil temos o costume de comer arroz com feijão e carne para quem tem mais condições ou ovos para os menos condicionados, isso varia em algumas regiões já na China a culinária da parte norte (inclusive de Pequim) se caracteriza principalmente pela importância das massas e frituras: talharim, pastéis, bolinhos de carne, etc.

Um dos costumes morais e valores que estão fortemente presente nos dias atuais é advindo do mercado marcante e nesse o da ostentação. Enxergamos o mundo de hoje por lentes dos óculos que nos vendem para abrir nossos olhos ao consumo.

Se por um lado não teríamos necessidade de ostentar aquilo que é natural na vida como o dom que Deus nos oferece, por outro lado uma ética distorcida nos faz viver/ver o que a sociedade nos pede, nos cobra assustadoramente e nos vende como a solução e depois impõem seus juros – uma cultura criada por homens gananciosos.

Você já notou que numa generalização cultural somos preocupados insistentemente com a imagem e como somos forçados a colocar nossas “boas” fotos em redes sociais. Ficamos perturbados como seremos vistos, curtidos e como estamos aparecendo, porque é assim que culturalmente se enxerga a vida, também pela lente da ostentação, até do que não somos ou do nada que estamos vivendo. Já vi gente que por um tempo conseguiu manter-se nessa linha depois sumiu, faliu, ta devendo e pensa em voltar.

Fico pensando quando Pilatos perguntou a Jesus Cristo se ele realmente era o rei dos judeus, rei dos judeus naquela situação, entregue para ser julgado como criminoso pelo seu próprio povo. Em um silêncio profundo, juntamente com um olhar messiânico da paz, Cristo responde a ele – “O MEU REINO NÃO É DESTE MUNDO”.

Cuidado meu caro amigo(a), nessa cultura de ostentação o preço que se paga é alto de mais porque os valores são outros e não os da vida real, são falsos e implantados por outro reino, outro governo. O que vemos constantemente pelas lentes sociais é uma profunda crise existencial forçada, assim, o que mais se deseja é ser ostentando com o que na verdade não somos.

Joaquim Tiago

(17/10/13)

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