Em Tempo de Grandes Templos

bezeero de ouro

Desde muitos tempos e de muitos templos o homem é fascinado pelo poder.

Para Tomás de Aquino, a soberba era um pecado tão grandioso que poderia ser tratado fora da série dos 7 pecados capitais merecendo assim uma atenção especial. Soberba, orgulho e poder e culminância na vontade ser deus.

Quando surgem alguém com o segredo da alquimia ele vai ser tratado como o grão mestre, chefe maior e o detentor de todo o saber universal aqui na terra. Esse oráculo agora sabe o caminho das pedras, do sucesso e do paraíso. O guru deve ser reconhecido (leia-se adorado), pois ele mostrará quais serão os rituais para se tornar também uma pessoa de poder e com boa saúde. Tudo isso difundido num país de corrupção, mentiras e misérias ondem a inveja é tida como cultura popular e isso tudo junto vai se tornar praticamente a formula do sucesso para qualquer religião.

No meu modo de entender nessas sociedades “secretas” por ai o único pacto que existe é com o dinheiro e com a soberba e nesse caso nem precisa fazer batizado, dar o sangue e montar no bode, o diabo já esta governando a vida e casa do sujeito. Os segredos da irmandade são as negociações que ali se faz e nada mais fraterno.

Três pulinhos para frente, três para trás, um manto na cabeça, um símbolo de Israel, um segredo na mistura do óleo com a água consagrada, uma vírgula a mais e um versículo isolado aqui e ali, pronto – agora só acrescentar o seu desejo e achar que é a sua fé ou qualquer fé que se ache que é.

Lembra-se do conselho de Paulo a Timóteo? “Saiba disto: nos últimos dias sobrevirão tempos terríveis. Os homens (e mulheres) serão egoístas, avarentos, presunçosos, arrogantes, blasfemos, desobedientes aos pais, ingratos, ímpios, sem amor pela família, irreconciliáveis, caluniadores, sem domínio próprio, cruéis, inimigos do bem, traidores, precipitados, soberbos, mais amantes dos prazeres do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando o seu poder. Afaste-se também destes.” (2Timóteo 3:1-5).

Desde Adão e sua companheira no Jardim do Éden, na origem da vida, o tentador já sabia dessa vulnerabilidade quando fez seu encantamento – “Deus sabe que, no dia em que dele comerem, seus olhos se abrirão, e vocês serão como Deus, conhecedores do bem e do mal” (Gênesis 3:5). De lá pra cá, mudou muita coisa, mas o sentimento e vontade é a mesma, os homens ainda querem ser deus, ter poder, serem adorados, controlar o universo e seu umbigo, controlar a vida do outro, já outros têm plena convicção de que é deus. Todos que assim agiram a história conta como caíram do cavalo, não apenas como Paulo, mas também como Napoleão.

O caminho de Cristo Jesus é a contramão do sistema – “O maior entre vocês deverá ser servo. Pois todo aquele que a si mesmo se exaltar será humilhado, e todo aquele que a si mesmo se humilhar será exaltado.” (Mateus 23:11-12)

“O orgulho assume as rédeas porque passamos a acreditar que somos o tipo certo de gente. O medo assume as rédeas porque temos pavor de perder o controle.” Richard Foster em Celebração da Disciplina.

Joaquim Tiago (23/07/14)

No amor não há medo

gaiola

Tantas pessoas confundindo anulação com amor.

O amor não é para anular ninguém, é para dar vida e viver em liberdade.

Só ama quem tem liberdade, liberdade para poder decidir, livre para poder fazer a opção por decisão própria e o domínio das escolhas consciente, da paixão e do interesse.

Quem escolhe amar outra pessoa, quem decide viver com outra pessoa tem consciência de todas as implicações que envolve um relacionamento, a opção por não viver só é compartilhar a vida com FIDELIDADE e isso não pode parecer nem de longe obrigação mas sim convicção e aliança.

Quando existe a confusão entre anulação e amor, os que fazem opção pela obsessão e o medo prefere se anular diante do outro ou anular a quem se escolher para relacionar e chamam isso de amor.

O pior é quando nesse jogo anula-se os amigos, os parentes, os vizinhos e tudo que possa causar risco e danos. Esse medo de se libertar ou libertar o outro para fazer suas próprias escolhas e bancar a própria existência com a fé.

Ninguém é obrigado a ficar com ninguém, mesmo com medo de ficar sozinho ou o medo de decepcionar a quem tem medo de viver em liberdade.

O amor pode até parecer uma anulação quando compartilhamos a vida e abrimos mão de certas vontades porém essa atitude nunca deve anular quem somos e sim ser feita com consciência e vontade própria demonstrando se somos e como somos.

No fim da vida aprenda a valorizar a si para poder valorizar a quem se ama incluindo os amigos e a todos, e lembre-se, todo amor de Cristo não foi se anulando, foi por convicção e decisão obedecendo ao Pai, não mudou em nada quem Ele era, pelo contrário, só demonstrou o quanto Ele nos amou não cobrando de nós NADA EM TROCA.

“No amor não há temor, antes o perfeito amor lança fora o temor; porque o temor tem consigo a pena, e o que teme não é perfeito em amor.” (1 João 4:18)

Joaquim Tiago (21/07/14)

A Legião Urbana

peter_pan

Tenho notado um fenômeno recorrente nesta geração por volta dos seus 20 a 40 anos de idade que é o não crescimento ou a falta dele.

Neste caso não falo do crescimento físico, do desenvolvimento escolar onde muitos estão chegando à faculdade, dos crescimentos financeiros onde muitos já estão empregados e outros conseguindo boas colocações e qualificações podendo adquirir bens de consumo de última geração, nem falo do crescimento familiar por que alguns já têm filhos e outros casaram.

A falta de crescimento a que me refiro esta especialmente relacionada ao amadurecimento e a vida adulta, o ser adulto que sai do colo da mãe, do pai ou da vovó e corta o cordão umbilical invisível. Crescer assim dói muito e é um pulo no escuro deixando uma falsa segurança para assumir a própria vida e as próprias escolhas, conhecer os limites e ser um cidadão de direitos e deveres. Pessoas adultas discutem como adulto suas escolhas e relações que fazem por si sem ter que fazer constantemente referências aos dependentes emocionalmente.

Talvez para que haja essa mudança os pais teriam que utilizar os exemplos da natureza selvagem tal como a águia que leva seus filhotes as alturas e os deixam cair para aprenderem a voar por conta própria ou nossos ancestrais indígenas que mantem os ritos de passagem dos adolescentes e do desapego para se transformarem em homens de guerra e mulheres para casarem e ser mãe.

Assumir os próprios papéis no contexto cultural em que vivemos esta modificando e ficando solúvel, uma sociedade de homens e mulheres fracos e indecisos, por isso gostamos dos seriados como Guerra dos Tronos e outros que tratam de uma época que nem de longe existe mais.

Como foi trágico a vida de Davi e seus filhos, proteção exagerada somada a falta de limites, exemplo claro com Amnom que violentou sua meio irmã e seu irmão Absalão que planejou um golpe de estado para tomar o reino do pai (2 Samuel 13). As consequências foram das mais trágicas na história bíblica e de Israel, e a bíblia não é brincadeira, são história sérias.

Os pais estão com medo e os filhos com mais medo ainda de crescer e ser um adulto responsável numa vida cada vez mais aparentemente arriscada. Virar gente grande fazendo suas próprias escolhas pode acontecer mesmo em situações simples e que nem envolva dinheiro e brinquedos modernos de “adultescentes”.

No contexto geral não se sabe mais o que é brincadeira e o que é realmente sério na vida, é como um aplicativo de smartphone nos divertindo todo tempo.

Esta na hora de crescer, porque o mundo não é um parque de diversão ou a encantada Terra do Nunca onde não se envelhece, apesar do mundo nos infantilizar todo tempo para lucrar rios de dinheiro com o entretenimento e ficar de brincadeira com a vida.

“Tenho andado distraído / Impaciente e indeciso / E ainda estou confuso / Só que  / agora é diferente / Estou tão tranquilo e tão contente (…)

Fiz questão de esquecer / Que mentir pra si mesmo / É sempre a pior mentira / Mas não sou mais / Tão criança a ponto de saber tudo” (Quase Sem Querer – Legião Urbana)

 Joaquim Tiago Bill

(16/07/14)