peter_pan

Tenho notado um fenômeno recorrente nesta geração por volta dos seus 20 a 40 anos de idade que é o não crescimento ou a falta dele.

Neste caso não falo do crescimento físico, do desenvolvimento escolar onde muitos estão chegando à faculdade, dos crescimentos financeiros onde muitos já estão empregados e outros conseguindo boas colocações e qualificações podendo adquirir bens de consumo de última geração, nem falo do crescimento familiar por que alguns já têm filhos e outros casaram.

A falta de crescimento a que me refiro esta especialmente relacionada ao amadurecimento e a vida adulta, o ser adulto que sai do colo da mãe, do pai ou da vovó e corta o cordão umbilical invisível. Crescer assim dói muito e é um pulo no escuro deixando uma falsa segurança para assumir a própria vida e as próprias escolhas, conhecer os limites e ser um cidadão de direitos e deveres. Pessoas adultas discutem como adulto suas escolhas e relações que fazem por si sem ter que fazer constantemente referências aos dependentes emocionalmente.

Talvez para que haja essa mudança os pais teriam que utilizar os exemplos da natureza selvagem tal como a águia que leva seus filhotes as alturas e os deixam cair para aprenderem a voar por conta própria ou nossos ancestrais indígenas que mantem os ritos de passagem dos adolescentes e do desapego para se transformarem em homens de guerra e mulheres para casarem e ser mãe.

Assumir os próprios papéis no contexto cultural em que vivemos esta modificando e ficando solúvel, uma sociedade de homens e mulheres fracos e indecisos, por isso gostamos dos seriados como Guerra dos Tronos e outros que tratam de uma época que nem de longe existe mais.

Como foi trágico a vida de Davi e seus filhos, proteção exagerada somada a falta de limites, exemplo claro com Amnom que violentou sua meio irmã e seu irmão Absalão que planejou um golpe de estado para tomar o reino do pai (2 Samuel 13). As consequências foram das mais trágicas na história bíblica e de Israel, e a bíblia não é brincadeira, são história sérias.

Os pais estão com medo e os filhos com mais medo ainda de crescer e ser um adulto responsável numa vida cada vez mais aparentemente arriscada. Virar gente grande fazendo suas próprias escolhas pode acontecer mesmo em situações simples e que nem envolva dinheiro e brinquedos modernos de “adultescentes”.

No contexto geral não se sabe mais o que é brincadeira e o que é realmente sério na vida, é como um aplicativo de smartphone nos divertindo todo tempo.

Esta na hora de crescer, porque o mundo não é um parque de diversão ou a encantada Terra do Nunca onde não se envelhece, apesar do mundo nos infantilizar todo tempo para lucrar rios de dinheiro com o entretenimento e ficar de brincadeira com a vida.

“Tenho andado distraído / Impaciente e indeciso / E ainda estou confuso / Só que  / agora é diferente / Estou tão tranquilo e tão contente (…)

Fiz questão de esquecer / Que mentir pra si mesmo / É sempre a pior mentira / Mas não sou mais / Tão criança a ponto de saber tudo” (Quase Sem Querer – Legião Urbana)

 Joaquim Tiago Bill

(16/07/14)

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