“Não a autoridade que não venha de Deus”

trono de ferro

Olhando para Deus que é justo – “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, pois serão satisfeitos.” (Mateus 5:6) – Como associar injustiça e obediência às autoridades injustas? Como obedecer ao Deus justo e as autoridades injustas? Existe autoridade justa? Qual foi mesmo a autoridade que Deus instituiu e para que serve?

Diante da afirmação de Paulo em Romanos 13, quais são as autoridades que ele esta se referindo para que as pessoas nesse período devessem obedecer e dar créditos?

Nesse mesmo contexto e período histórico (Entre 49 d.C. a 59 d.C.) o próprio Apóstolo havia sido acusado pelos judeus que o perseguiam e o levaram diante de Lúcio Júlio Gálio, o então novo pro cônsul da Acáci, Gálio entendeu que era um problema interno do próprio judaísmo, e não deu muita atenção, precedente esse que Paulo usou mais tarde para proteger seu serviço apostólico (At 28:30). A autoridade do governador romano em questão é importante para Paulo diante dos judeus para quem escrevia sobre lei e graça, essa autoridade deveria ser respeitada, principalmente em ali em Roma. “Todos devem sujeitar-se às autoridades governamentais, pois não há autoridade que não venha de Deus; as autoridades que existem foram por ele estabelecidas.” (Romanos 13:1).

Acompanhando o contexto do texto, aproximando com mais atenção ao raciocínio de Paulo para os Romanos, vemos que o Deus de justiça é e quer uma autoridade que seja agente da própria justiça – “… É serva de Deus, agente da justiça para punir quem pratica o mal.” (Romanos 13:4b). Uma autoridade que NÃO seja para a justiça, não é agente do Deus que é justo e nem deveria ser chamada de autoridade. “… Pois é serva de Deus para o seu bem”. (Romanos 13:4a).

Quem teme a autoridade que é serva de Deus para a justiça são todos os que praticam o mal. Na prática do mal podemos incluir os pais, agentes públicos, políticos, religiosos e demais autoridades que não são servos da justiça e nem de Deus. “Pois os governantes não devem ser temidos, a não ser pelos que praticam o mal. Você quer viver livre do medo da autoridade? Pratique o bem, e ela o enaltecerá.” (Romanos 13:3).

Servi a justiça para Paulo é bem mais uma questão de consciência do que uma atitude de medo da punição. A punição e o medo provavelmente não mudará nossa forma de pensar, a punição apenas gera o receio de ser castigado e não uma nova maneira de ser. O ser justo faz muita falta nesses dias onde existem abusos de poder e maldades gratuitas aos montes sem a consciência do que é ser uma pessoa justa ou agir com justiça. “Portanto, vivam com responsabilidade — não apenas para evitar a punição, mas por ser a maneira certa de viver.” (Romanos 13.5)

Deus é a autoridade e seu reino é de justiça, toda autoridade de Deus é feita com justiça, a justiça é a autoridade de Deus. A justiça de Deus não é a justiça dos homens. Deveríamos aprender a ser justo, o justo vive pela fé – “Porque no evangelho é revelada a justiça de Deus, uma justiça que do princípio ao fim é pela fé, como está escrito: ‘O justo viverá pela fé’” (Romanos 1:17). A fé é o conhecimento da sua vontade no que é bom e no que é mal. Deus é contra toda a injustiça pecaminosa do homem nessa terra e se fez justiça em seu filho por amor a nós. Todo poder da injusta não de Deus e será levada a autoridade que é Deus.

Lembram quando Jesus Cristo foi julgado pelas autoridades constituídas pelos poderes dessa terra? Primeiro ele foi levado ao Sinédrio pelos religiosos acusadores, depois ele foi levado a Pilatos governador da província da Judéia, depois Pilatos enviou Jesus para Herodes que estava lá pela Galileia, Herodes assustou com o réu em seus trajes simples pedindo ele para realizar milagre sem ser atendido, Herodes envia Jesus novamente para o poderoso Pilatos que lava suas mãos em um julgamento público e passa a escolha para o povo usando da democracia que fez justiça pela movimentação da crucificação sendo influenciados pelos os sacerdotes. O justo em frente a todas as injustiças, a autoridade esta com Cristo e ele escolheu se servo e sofrer a injustiça no favor de todos.

Segundo o especialista Poder é a faculdade de forçar ou coagir alguém a fazer sua vontade e Autoridade é a habilidade de influencia por quem se é e pela vocação e chamado do trabalho servido. Toda autoridade é reconhecida, diferente do poder que é tomado e muitas vezes pela força. Não reconheço no Pai de Cristo injustiça, reconheço em Deus sua autoridade, a justiça do seu amor.

A autoridade que vem de Deus é justa e a que não vem Dele não é da sua autoridade ou autorização. O que Deus constitui é o amor e ai ficamos com as ultimas palavras de Paulo no mesmo texto:

“Não devam nada a ninguém, a não ser o amor de uns pelos outros, pois aquele que ama seu próximo tem cumprido a lei.” (Romanos 13:8).

Joaquim Tiago Bill
(16/04/15)

Para que serve a vida?

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Neste sistema social governante que dita às normas de conduta ética, percebo uma regra prejudicial imposta onde o mais importante na vida é o mérito e não o serviço prestado.

Raras pessoas sobrevivem dentro desse sistema em busca de uma melhor forma para servi, as pessoas em geral estão em busca da melhor forma para ter merecimento, ser servido e obter o reconhecimento requerido.

Os negócios de mercado em todas as suas escalas são feitos em torno do mérito. O porta voz anuncia a todos que você merece o que você tem. O merecimento é a aprovação, o que as vezes não vem do emprego, mas da “esperteza”, afinal de contas o mundo dos espertos. Acontece em alguns casos os percalços da vida, numa auto avaliação e no julgamento livre feito em nossa consciência, sentenciamos que a vítima dos percalços deve ter merecido, ela provocou sua fatalidade fazendo o que não devia, e ai o pior, mereceu o que aconteceu, decidimos e nos aliviamos quando não comigo.

Merecer as coisas nos faz melhores porque nos autoriza e todo esforço de alguma forma tem que ser recompensado. Você merece ser feliz, afinal de contas merece de qualquer jeito, até mesmo ficando inadimplente, ficando com o saldo devedor e atravessando todos os princípios estabelecidos que dizem claramente: vai dar errado!

Quem não merece que procure uma forma de ser contemplado e tenha retorno daquilo para que tanto se esforce.

O sistema nos faz consumidores de merecimento mesmo não nos conhecendo, nos faz dignos mesmo não sabendo se teremos como comprar. Um exemplo prático são os automóveis, traduz muito bem esse sentimento, as marcas são o símbolo do poder para o homem e hoje também para as mulheres. O automóvel quanto mais potente e luxuoso se torna a real personificação de quem o merece e de quanto pode ter. Vidros escuros, rebaixado, velozes e furiosos, música alta, muito bem limpo, dvd de alta qualidade, rodas de liga-leve, motor possante que faz correr, deslizar pelas vias em 100km/h onde é permitido 40km/h, tudo para representar o poder do dono. Minha cidade esta entupida de automóveis. Para quem merece um bom automóvel existe uma pergunta – Para que serve um carro? Serve para retribuir o que merece ou serve para cumprir sua função?

A função das coisas é apenas consolar o merecimento? O que de fato muitos merecem?

Para que serve um político? É porque ele mereceu a cadeira que ocupa? Para que serve um servidor público? Observando o título, deveria ser para servi o público. Para que serve um pastor? Para ter um título e autoridade sem cumprir a nobre função de pastorear? Para que serve um médico? Para que serve um juiz? Qual a função de um policial? Qual a função da televisão? Qual a função do seu celular? Qual a função do Facebook e redes sociais? Funciona seu relógio? O relógio pode ser caro e bonito, mas parado não tem função.

Devemos ter o devido cuidado com o sistema de merecimento, pois estamos perdendo o sentido de toda função creditada a cada um. Será que qundo estudamos estamos querendo aprender uma função para poder servir melhor nessa vocação ou estamos buscando o devido merecimento e um lugar ao sol?
Querem ter o poder por merecer, por ter merecimento adquirido ou tomado à força e dele fazer uso, mas não existe autoridade no exercício da função, não a conhecimento de causa e não se faz o verdadeiro reconhecimento que legitima ser autorizado a cumprir a função.

Toda forma de serviço e toda função cumprida deveria ser reconhecida com toda justiça, mesmo não buscando reconhecimento ou mérito. É natural para a vocação exercitar o dom e o dom abençoar a vida das pessoas. Esse deveria ser o foco, saber que o outro merece nosso serviço sem mesmo ter feito algo para tanto. Os beneficiados pelo serviço prestado deve devolver com justiça o reconhecimento. Foi assim com Cristo, não merecíamos, mas Ele sabia para o que veio, serviu-nos sua vida como salvação para os que Nele crerem e reconhecemos a misericórdia da sua sua função, Cristo mesmo ensinou, eu vim para servir e não para ser servido (Marcos 10:45). Jesus Cristo mereceu ser crucificado? Não! A injustiça esta no fato de os seus o não o reconhecerem com justiça, nem reconhecer para o que Ele veio a cumprir com sua função. Deus transformou sua função em benção para todas as nações.

Uma sociedade que vive apenas em busca dos seus méritos quase não serve para nada, seus valores estão invertidos. Quais os méritos de uma sociedade onde os valores não esta na função e sim no ganho? Que valor tem uma vida? A vida que abençoa extrapola os valores e no fim os reconhecimentos são para manter com dignidade toda função servida.

“Você merece, você merece / Tudo vai bem, tudo legal / Cerveja, samba, e amanhã, seu Zé / Se acabarem com o teu Carnaval?” (Comportamento Geral – Gonzaguinha)

Joaquim Tiago Bill
(30/3/15)