familia salgado

“E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra. E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.” (Gênesis 1:26,27)

Qual é a imagem feita em sua criação?

Deus criou a humanidade, Adam, a sua imagem. Como é essa imagem? Onde esta refletida a glória do Senhor?

Quando Deus criou o homem a sua imagem, criou também o casal Adão. A imagem e semelhança de Deus são expressas no casal (Gn 5.1-2). São eles duas funções em uma pessoa sem a individualidade e os dois eram Adam (humanidade).

Deus é uma comunidade, a sua imagem só poderia criar outra comunidade que foi feita a sua semelhança. Deus é uma família, ele criou outra família conforme a sua imagem e semelhança. Deus é uma comunhão, Ele criou a comunhão à sua imagem e semelhança.

Comunidade, família e comunhão.

Nós refletimos a imagem de Deus quando existe a comunidade, família e comunhão. Para a humanidade Deus deu uma ordem e uma missão, cuidar do planeta no modelo do jardim nas bandas do oriente, um ecossistema que nos ensina a cuidar uns dos outros.

O que é uma comunidade?

A maior necessidade humana que temos é a de pertencimento, de pertencer a um lar, um éthos, um oikos, uma casa cultural, uma casa espiritual e emocional. A própria natureza de Deus está vinculada a condição do relacionamento: “Deus é amor” (1Jo 4.16). Amar significa relacionar-se com um elo de cuidado e compromisso entre os que estão se relacionando.

Nossa primeira necessidade é a do relacionamento, como da mãe com o filho dependendo dela para sustentar a vida e sustentar suas emoções. Após Deus criar o universo e a terra com todos os seus animais e a vida natural e mesmo o homem relacionando com todos os seres viventes e com o próprio criador na virada do dia, viu ele que não era bom que estivesse só, em um sono profundo tirou uma parte do homem e fez alguém que fosse a sua altura, isto é, que correspondesse a semelhança e a mesma imagem.

Fomos criados no relacionamento e para relacionar. A união é base da nossa existência.

O maior desastre e o perigo eminente surgem quando essa base começa a quebrar, quando a comunhão toma outros rumos contaminados pelo pecado.

O orgulho é o pai de todos os pecados capitais e um dos seus filhos mais terríveis são a inveja e o egoísmo. O desastre para toda comunidade e comunhão é não refletir mais a imagem e nem a semelhança de Deus, isso acontece quando os relacionamentos começam a serem trincados.

Como então manter a sagrada comunhão com Deus e com os outros? (Mt 12.30-31)

Comunhão vem do que é comum. O que os primeiros cristãos de Atos tinham em comum? (Atos 2.42 – 4.32-33)

O ensino dos apóstolos, a vida em comunidade, a refeição comunitária e a PRÁTICA DA ORAÇÃO. Um só coração, uma única mente!

  1. Um só coração em Atos

No contexto de Atos ninguém tinha de si que era maior, ou que deveria ser “melhor” que o outro, fazemos todo o possível para ser melhor no que nos compete a fazer para o outro e não para ser melhor que o outro.

O avivamento experimentado por eles já estava levando a todos a venderem suas posses e repartir entre eles e os que tinham faltas. A imagem de Deus era tão forte que atraia pessoas de todos os lados e esses cristãos estavam caindo na graça do povo, algo bem diferente de nossos dias quando crentes tem causado mais inimizades e repulsa do que encantamento dos vizinhos.

Não sei se um dia aqui no século 21 do hiper consumismo chegaria a tanta comunhão e socialização milagrosa dos bens. Entender que o Pai é Nosso e o pão é de todos, porém é evidente e um sentimento de Cristo. Ninguém tinha de si mesmo ser melhor, ter melhores recursos e deixar o próximo ali da comunidade em falta. Ninguém queria mostrar-se mais rico e a riqueza será sempre para abençoar os outros e nunca para acumular como sinal de que é mais abençoado e especial.

  1. Ninguém é igual a ninguém!

“Devemos amar o outro e não ser o outro.” (Dr. Cloud & Townsend; pg 93)

As pessoas no mundo caído têm muita dificuldade em se aceitar como é, e fantasia que o outro tem que ser o que ela quer que seja. Não podemos sentir o que o outro esta sentindo, nem pensar pelo outro, nem agir no lugar do outro.

O grande apóstolo Paulo é bem diferente do grande apóstolo Pedro. Quando Saulo de Tarso veio a converter sua vida a Cristo ninguém quis acompanhá-lo, ele não em primeira mão bem aceito pelos apóstolos por medo e somente o corajoso Barnabé o discípula.  Tiago é diferente de João e Marte é diferente de Maria.

Nossa comunhão não é para sermos pessoas iguais e a graça esta na multiforme e dimensões diferentes. Nossa comunhão tem que atravessar a formatação e uniformização das características que nos fazem pessoas especiais com nossos dons e gostos. Temos a nossa identidade e a coisa mais terrível é ter que perdê-la para ser aceito por um companheiro ou por um grupo.

Nosso amor precisa aprender a amar o outro como ele é e não como queremos que ele seja e que busquemos aceitar quem somos e somarmos nossas forças e características que se completa para formar essa grande teia de valores multiformes.

  1. Existem limites no jardim

Precisamos aprender também sobre os limites, pois pessoas que amam têm uma linha onde consegue ir. Todos são limitados e isso nos faz depender do outro.

Os limites devem ser respeitados e geralmente não gostamos de ouvir o outro dizer NÃO. Quando repudiamos o NÃO da pessoa amada provavelmente estamos agindo como crianças e ainda queremos fazer tudo que der na cabeça, pintar e bordar.

Quando ouvimos o NÃO imaginamos inconscientemente que estamos enfrentando a rejeição. O trauma de ser rejeitados pelos amados acontece sem saber se ele esta gostando da brincadeira de mau gosto. A pessoa amada não vai deixar de te amar, ela provavelmente só não esta afim de “brincar”, de “conversar”, as pessoas não conseguem da atenção o tempo inteiro porque precisa também de sua atenção interior e conversar, brincar consigo mesmo e com outras pessoas. Seu companheiro (a) quer descansar, passear e meditar.

“Os controladores não conseguem respeitar o limite das outras pessoas. Resistem em assumir a responsabilidade pelo própria vida, por isso precisam controlar a vida dos outros.” (Dr. Cloud & Townsend; pg 59)

Nossa comunhão se realiza na liberdade e não em controlar a vida do outro, pessoas que não estão livres para amar são forçadas a convier com o erro da obrigação e transpor os limites de si mesmo sem dar conta.

  1. Amor incondicional

“Nós amamos porque ele nos amou primeiro. Se alguém afirmar: “Eu amo a Deus”, mas odiar seu irmão, é mentiroso, pois quem não ama seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê. Ele nos deu este mandamento: Quem ama a Deus, ame também seu irmão.” (1 João 4:19-21)

O incondicional obviamente não esta ligado a uma condição (rs), esta ligado a graça, ao favor.

Qual a condição que nos faz amar? Amamos como Cristo nos amou primeiro, incondicionalmente.

Pense bem: Em que condições Cristo nos encontrou para nos amar? Não pense na justiça moral, somente no amor que nos creditou sua justiça de dádiva.

Incondicional é aprender como o outro é, isto é, não aceitar e nem concordar com o erro feito fora de Cristo, é respeitar o outro na sua natureza sem impor condições, a nossa condição. Incondicional não é concordar com o erro e sim concordar com Cristo.

Pense em um relacionamento conjugal condicionado apenas a uma parte, ao gosto de um dos companheiros, infelizmente nem de longe essa tentativa de união é um casamento e sim a anulação da identidade de alguém para que seja apenas a individualização de uma parte.

Pense em um relacionamento entre pai e filho que seja apenas condicional, o filho tem apenas que ser aquilo que os pais querem e não pode assumir sua identidade e escolhas simples como as profissionais.

Pertencer a outro, ser um com outro não precisa de condições que favorecem apenas uma parte, mas favorece os dois e a todos e para tanto sempre será sacrifical, é dar de si para outro sem cobrar o mérito, a meritocracia mundana, é cooperar com o Eterno na sua obra.

O que nos atrapalha a amar incondicionalmente é o ódio e a raiva e este sentimento é fruto da frustração de não ter o que o outro tem ou de não ser o outro é; esse pensamento terreno e demoníaco tem um nome, se chama INVEJA. A cura esta na oração que é a melhor relação com o Eterno e em se aceitar cada vez mais, adorando a Deus por ter lhe feito assim. “Não culpe seus pais, são crianças como você, o que você vai ser quando você crescer.” (A Legião)

Nossa comunhão esta totalmente condicionada a Cristo e Cristo nos amou incondicionalmente.

A imagem é O Corpo

Somos um corpo com vários organismos juntos, milhões de células, inúmeras bactérias, uma porção de membros, uma interdependência e uma dependência orgânica existencial. O corpo de Cristo é Cristo como cabeça! A imagem de Cristo neste mundo é a comunidade de seus membros que manifesta seu corpo onde é, onde proclama que ele chegou. Cada parte cumpre a sua função, cada função funciona na função de um corpo e no corpo nenhum órgão conseguirá funcionar sozinho, nenhum órgão sobrevive sem o outro, sem comando, sem sangue, sem oxigênio, sem alimentação, sem partir o pão, sem olhar nos olhos do outro e dizer eu te amo, me perdoa, me ajuda a caminhar, para onde estamos indo, me de sua mão, leia para mim um poema, diga-me um salmo, me ajude em oração.

Quando nós não conseguimos mais pertencer ao outro na comunhão, certamente o risco é de não pertencermos mais ao corpo de Cristo. Se não somos mais comunhão, comunidade, não temos mais a imagem e nem a semelhança dele que esta focada na relação.

A comunidade refletira como espelho a Cristo quando Ele for o cabeça e aprendermos definitivamente a relacionar com amor.

Joaquim Tiago Bill

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