Ocupados em sobreviver

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O que nos pré ocupa tanto é sobreviver, e nem tanto a ocupação em viver. Sobreviver é atender nossas necessidades e as mais básicas possíveis. Olhando para nossos dias, o que é o básico? A vida mudou muito. A vida moderna do sobrevivente tem muitas necessidades para dar razão ao ser e pertencer a um grupo e uma sociedade. Outros grupos, sobrevivem com pouquíssimas coisas apesar do pré-conceito social taxá-los de mendigos.

Alimentos são comprados na esquina com suas promoções e quase nenhum de nós cultivou um pé de arroz para colher e nem uvas para fazer vinho. Diferentes dos nossos pais e dos nossos avós, basicamente não sabemos mais existir sem telefone celular, internet, luz elétrica, fogão a gás, máquina de lavar roupas, automóveis para uma ou duas pessoas e redes sociais para interação virtual. Sobrevivemos com a obsolescência programada onde tudo tem uma data para acabar, tudo esta em crise, um limite de uso um fim pré-determinado e descartável. A sobrevivência da vida básica é programável e descartável.

Ninguém sobrevive sem significado e a sobrevivência nem sempre da o porquê de tudo, da vida, do ser. Nem só de pão e entretenimento viverá o homem e nem a igreja. Essa vida que alimenta nossas necessidades modernas e obsoletas, só nos faz mais consumidores necessitados de ilusão e não permanentes em busca do que é eterno. A maioria das pessoas estão apenas ocupados com a sobrevivência e não com a vida e os valores permanentes. A vida é basicamente passageira.

Você tem certeza do que realmente sustenta sua vida? Você sabe de onde vem o sustendo do seu corpo? “Os pulmões removem os resíduos de dióxido de carbono do sangue e recarregam-no com o oxigênio. O sangue rico em oxigênio sai dos pulmões e entra no lado esquerdo do coração que, por sua vez, o bombeia para todas as partes do organismo, incluindo o próprio músculo cardíaco.” (Tiago 4.13-15) – “O Eterno traz a morte e o Eterno traz a vida, faz descer à cova e a faz ressurgir.” (1Samuel 2.6) O ar e o oxigênio, a água e a vida. Seu sustento esta muito além do que essas ocupações modernas chamam de sobrevivência.

Viver é pertencer, ser significado, o valor da vida pode estar muito além do que a modernidade chama de sobrevivência programada.

“Qual é a vantagem de conquistar tudo que se deseja e perder a si mesmo? O que vocês teriam para dar em troca da própria alma?” (Marcos 8:36)

Joaquim Tiago

24/10/15

Se ocupando do nada

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Precisamos sobreviver numa terra de gigantes. Vamos à luta armada diariamente dentro de uma dimensão onde são travadas batalhas com o sistema que troca a vida por qualquer pedaço de significado. Qualquer sopro que lhe de respostas, dizendo quem se é, e acomode tranquilamente a ansiedade, o medo e a angústia do não ser.

Precisamos de toda essa ocupação, porque mais nada pode ter espaço para voz que pergunta: “_Onde você esta indo?” Estou indo buscar quem sou sem saber para onde ir, mas indo, me disseram que esse é o caminho, pois todo mundo também vai, todo mundo agora sabe o que é bom, pelo menos o valor é alto, mas parece ser bom, de boa marca. “_Quem é que lhe disse?”

Não sabemos mais quem somos, mas alguém pode lhe vender uma imagem que lhe de uma resposta, porém as imagens caem no esquecimento.

Se ocupando cada vez mais dos interesses da comparação as pessoas não se vêem, invisíveis aos próprios olhos as pessoas enxergam no outro o que ela não é, mas, queria muito ser, ser seu ídolo, seu eu que não é, e assim, nem vai será.

Se ocupássemos de sermos humanos, de conhecer a ti, ocuparíamos o ser da vontade de Deus, da vontade do amor, de oferecer o melhor ao outro e não ao nada. Não nos completamos sem a relação, não completamos uma relação apenas se dando e fazendo o outro ocupar de você. Essa inveja não vai da certo (as comparações só dão certo para propagandas e o mercado financeiro).

Onde você esta indo?

“Qual é a vantagem de conquistar tudo que se deseja e perder a si mesmo? O que vocês teriam para dar em troca da própria alma?” (Marcos 8:36)

Joaquim Tiago

22/10/15

Desocupando Deus

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A vida pode ser um palco e a peça principal um drama, uma comédia, um romance, um terror, uma simples melancolia, um contador de história, um Maquiavel, uma análise, um espetáculo de bossa nova, um monólogo, A tragédia de Hamlet, príncipe da Dinamarca – “Ser ou não ser, eis a questão” – Enfim, nesse palco da vida encenamos, vivenciamos. Na vida temos uma história e um script que se revela. Quais papéis vamos cumprir?

Nessa história da sua vida quem ocupou o papel de protagonista e quem é o coadjuvante? Nessa existência a aventura gira em torno de qual personagem? Quem puxa a linha mestre e o fio que conduz o enredo? Qual é o sentido de cada cena que se abre? Estamos nos assistindo e nem sempre sabemos se somos o mocinho do bem ou o vilão fazendo o mal.

A vida pode parecer um palco e a peça principal da sua existência um verdadeiro drama ou uma comédia pastelão, um romance platônico, até um terror assustador de ignorâncias.

O agora vai depender de quem está escrevendo a história e que papel você quer assumir. Barro, o vazo ou oleiro? Deus não está desocupado da vida e nós podemos ser protagonistas ou apenas coadjuvantes.

Não se desocupe da história de Deus, pois você pode perder seu papel principal e viver de cenas virtuais como na peça das redes sociais onde assistimos muitas ficções e fantasias. A vida é uma história real e desocupando Deus as pessoas se tornam apenas plateias dos circos dos horrores dentro da arena se divertindo com as batalhas de sangrentos gladiadores vingativos e invejosos.

“Qual é a vantagem de conquistar tudo que se deseja e perder a si mesmo? O que vocês teriam para dar em troca da própria alma?” (Marcos 8:36)

Joaquim Tiago – 21/10/15

Ocupados de Deus

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Todo lugar desocupado pode ser ocupado, pode servir para depósito de alguma coisa. Terrenos abandonados viram em grande números lugar de jogar lixo, matos crescem alguns seres tomam conta.

Se somos desocupados de si e estamos vazios alguma coisa pode nos ocupar. A sociedade em grande parte preferem lugares desocupados para entulharem seus lixos e por outro lado o sistema nos entulharem de coisas desnecessárias. Não damos conta de tanta ocupação acumulada e já não sabemos o que nos ocupa dessa maneira.

Deus ocupa a todos com seu amor quando abrimos espaço para sua habitação. Ocupados de Deus de forma livre, tudo é leve e sublime e muito simples. Quando nos ocupamos de Deus nos ocupamos logo de quem somos, Deus não rouba existência mas coloca as coisas nos lugares certos, nos mostra em cada canto o bem e o mal.

Quando dele somos ocupados, nos ocupamos do outro, do próximo, do semelhante. Quando nos ocupamos do outro vemos ele fazer parte de quem somos e nos completa nessa grande ocupação comum da vida, da terra, do seu reino, dividindo e repartindo os dons.

Desocupe-se de si para si e de espaço de quem você é para o outro, seja o espaço de Deus agir.

Joaquim Tiago
20/10/15

Pré Ocupação

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Além da ocupação que já se faz presente uma pré ocupação nos deixa sem tempo. O relógio não coopera estamos também nos ocupando do futuro que ainda não se revela.

Temos nas mãos e nesse agora momento, uma pré definição do tempo e das coisas melhores ou piores que vão acontecer. Se précaver é está preparado, é nossa parte na vida, mas os acontecimentos que se revelam já não é apenas uma condição natural e nem relativa, depende de quem sustenta o continuidade da partida.

Para quem se ocupa do futuro e do que vai se desdobrar, precisa depender do acaso ou da sorte de quem acredita na ajuda divina e nesse momento é se Deus quiser ou se quero se ocupar da sua vontade ou da minha necessidade.

Se já estamos neste momento ocupados com tudo que nos colocaram para sermos e como sobreviver, nesse agora estão também ocupando o futuro.

O futuro se dará no presente pois é o que somos agora, é o que plantamos e no amanham apenas o milagre da germinação quando colheremos o que semeamos.

Mateus 6:34
‘Prestem atenção apenas no que Deus está fazendo agora e não se preocupem quanto ao que pode ou não acontecer amanhã. Quando depararem com uma situação difícil, Deus estará lá para ajudá-los’.

Joaquim Tiago
19/10/15

Ocupados de mais

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O sistema cultural neste mundo nos ocupou.
Sobrevivemos ocupados de si, dos interesses que fazem um sistema funcionar.
Essa cultura narcisista nos faz pensar que ganharemos nosso mundo enquanto nos desocupamos de quem somos e de quem é o outro.
Construímos nosso reino particular, nossa vida infinita ocupada de distração e nos protegemos em muros bem altos enquanto nossa maior intimidade são figuras virtuais que não fala a verdade de quem somos.
Ganharemos nosso mundo, nos ocuparemos de si e perderemos o outro.
Já nos perdemos nessa ocupação onde o sistema se alimenta dos indivíduos enquanto perdemos nossa alma.

“Qual é a vantagem de conquistar tudo que se deseja e perder a si mesmo? O que vocês teriam para dar em troca da própria alma?” (Marcos 8:36)

Joaquim Tiago

Organizações Religiosas Clientes Fiéis

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Certa vez o Profeta de Nazaré da Galileia fez uma entrada maravilhosa em Jerusalém (Mateus 21), o Profeta rumou em direção ao templo, um lugar altamente frequentado e o centro da cidade.

O templo era grande e considerado uma das maravilhas do mundo antigo, reconstruído pelo “gente boa” Herodes que tentou ofuscar a glória do primeiro templo feito por Salomão, isso com a política intencional para agradar a “judeus e romanos”.

Havia muita gente naquele lugar, vinham peregrinos de todas as vizinhanças, principalmente nos dias de festas tradicionais marcadas no calendário judeu, festas oficiais que vigorava dentro da lei de Moises. Todo mundo queria fazer sua “adoração”, cumprir seu voto e agradecer pelo resultado da colheita, pelo nascimento de um filho, o livramento da morte e outros afins.

Neste grande aglomerado de gente não podia faltar ela, a feira, a mãe dos shoppings, supermercados e lojistas. A feira acontecia bem no pátio do templo e servia aos peregrinos para adquirirem seu “sacrifício” e trocar suas moedas romanas no câmbio pagar o imposto cobrado pela organização religiosa.

Como o templo era o grande centro de concentração da atividade da cidade, vendiam-se as necessidades para os clientes que estavam ligadas as barraquinhas e cada loja atendiam as pessoas conforme suas posses.

O profeta tratou de expulsar esses vendedores que praticamente transformaram o lugar em um mercadão da rua da igreja.

Feira Moderna

Sobrevivemos em uma sociedade que funciona como um mercado, uma grande feira de negócios voltada para obter lucros e números quantitativos.

Infelizmente a fé foi duramente afetada, a fé acabou não ficando fora dessa lógica e piora a cada dia que passa a forma como entendem e apresentam a fé.

A lógica comercial tomou conta das organizações religiosas e faz delas uma agência e um grande baile onde pessoas vão celebrar a sua individualidade. Cultos que viraram entretenimento e distração. Entreter para tirar a atenção o foco e a consciência de Deus sua vontade e o próximo. Relacionamos mais com fascínio do que com os problemas uns dos outros.

Para que tudo de muito certo nessas organizações o cliente deverá ser bem atendido nos seus desejos, tudo ao seu gosto e que ele saia com a impressão de que esta plenamente satisfeito, seu problema resolvido e com gostinho de quero mais e precise voltar.

Fazer uma organização religiosa funcionar muito bem e que de bons resultados mercadológicos não é tarefa fácil e hoje temos a mão os mecanismos de manipulação vindos das estratégias de marketing. O mercado das ilusões nas propagandas que nos oferecem mudar de vida se sabermos negociar o bem proposto. Esse mercado das ilusões transformou a propaganda em linguagem religiosa falsificando a fé.

Tratar o serviço a Deus como negócios e investimentos tendo o religioso como cliente em potencial faz do humano um pequeno deus a ser adorado mediante o resultado e o retorno que ele pode dar como números quantitativos de pessoas que se somam ao baile.

Quantidade de dinheiro que paga o cachê dos shows e ídolos, manutenção da organização que atenda e promova a distração e o entretenimento do arrependimento. Uma ideia de sofrimento pelo pagamento do pecado depois da via sacra, os clientes fazem seu trabalho religioso no templo e volta para casa com a consciência mais “leve”.

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O Senhor foi bem servido?

A quem estamos servindo?

Para que serve uma organização religiosa?

Por que nos servem assim?

Quando nos convertemos a Cristo de fato e de verdade não somos convertidos em clientes e nem em empregados. Quando nos convertemos a Cristo somos seus discípulos e nos tornamos seus servos, servos de Cristo. João vai mais além, nos tornamos seus amigos (João 15.14-15). Cristo é o autor da nossa fé (Hebreus 12.2).

Quando nos convertemos a Cristo, esta conversão não somos nós que realizamos, é preciso nascer do espírito (João 3). É Ele quem realiza em nós na obra do Espírito Santo, a partir dai, servimos a Cristo que foi servo e serviu a todos, assim estamos servindo a Deus.

O servo não sabe o que seu senhor deseja, apenas cumpri o seu dever, já o amigo não, sabe e participa do desejo do seu coração, porque Cristo tem nos revelado toda a vontade de seu Pai, como amigos passamos a cooperar com ele na missão.

Pessoas em organizações religiosas onde vivem brigando pela benção do poder já não sabem reconhecer as funções e os dons uns dos outros. Pessoas assim estão servindo a quem? Pessoas em organizações religiosas que não querem cooperar com Cristo em sua obra e preferem apenas receber o beneficio de ser cliente, a quem essa pessoa se converteu?

Deveríamos todos pensar em nossa amizade com Cristo e nos perguntar constantemente se o Senhor nosso Deus foi bem servido ou esta vendo a nossa cooperação em nossas organizações que só servem para servir ao corpo de Cristo.

Querer servir o próximo como serviço a Deus é amor, querer servir o próximo como serviço a si, voltados ao cumprimento dos próprios interesses individuais é troca de favores e é negócio. O resultado do amor é saber que a igreja esta edificada em Cristo e o resultado dos negócios no mercado da fé é saber que as organizações religiosas estão edificadas em ilusões.

Se formos amigos uns dos outros e de Cristo serviremos uns aos outros em amor, se formos apenas clientes uns dos outros, iremos apenas servi a si mesmo numa troca de favores lucrativa e egoísta.

Joaquim Tiago

Ódio disfarçado de apologética

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Não sabemos mais dialogar conceitos, já não sabemos mais nem ler e escrever, analfabetos funcionais de orelha de livros. Não sabemos mais ouvir o conceito do outro, estamos agindo sempre com um julgamento próprio, somos todos técnicos de futebol. Principalmente agora na era das redes sociais, estamos assistindo horrorosamente o julgamento formado e o pré conceito extrapolado.

Quando em nome de uma verdade citamos o nome do “herege” e não a sua tese científica de que a terra não é o centro do universo e nem a sua “teologia” o centro da igreja cristã, reafirmamos um PRÉ conceito e não lemos conceitos.

Tem gente que não gosta de cristão, agora temos “cristão” que não gosta de gente e estão levantando as cruzadas religiosas, é a marcha da família cristã bem como antes na história precedendo a horrorosa ditadura que matou milhares de pessoas em toda América Latina.

Pra que tanto ódio disfarçado de apologética? A defesa da fé não deveria ser uma defesa de conhecimento pelo o amor? Passamos a odiar as pessoas e adoramos os postes ídolos das ideologias. Adoramos polêmicas para chamar a atenção, criar ibope e ter mais curtidas nesse inferno dantesco que são as redes sociais.

A vida de quem esta em missão de forma justa e integral nunca foi e não é virtual, se faz na comunidade, na sala dos congregados, nas necessidades dos irmãos anônimos, nas periferias e não atrás das telas e teclados.

A igreja é de Cristo e antes de expor pessoas num pré conceito deveríamos aprender a dialogar conceitos.

Estamos voltando literalmente a idade das trevas com a luz dos smartphones e daqui alguns dias será organizar novamente o tribunal da santa inquisição apologética gospel dos crentes que detém a verdade da ortodoxia papal. Já esta em processo de julgamento de alguns nomes que passam pela determinação impreterível de ser eles os eleitos para condenação, danação eterna e hereges.

“Seus hereges desalmados! Índios, incultos, feios – queimaremos vocês com nossas línguas, vocês representam uma grande ameaça para nossa santa e ilibada virtude moral, vocês são estranhos, tem gostos esquisitos, não lava as mãos para comer, profana o dia sagrado da lei, senta na mesa onde frequenta pessoas do ‘mundo’, vocês nem parecem crentes…”

“Quando vocês ficarem irados, não pequem”. Apazigüem a sua ira antes que o sol se ponha, e não dêem lugar ao diabo.” (Efésios 4:26,27)

Joaquim Tiago Bill