o-senho-e-o-chicote

Certa vez o Profeta de Nazaré da Galileia fez uma entrada maravilhosa em Jerusalém (Mateus 21), o Profeta rumou em direção ao templo, um lugar altamente frequentado e o centro da cidade.

O templo era grande e considerado uma das maravilhas do mundo antigo, reconstruído pelo “gente boa” Herodes que tentou ofuscar a glória do primeiro templo feito por Salomão, isso com a política intencional para agradar a “judeus e romanos”.

Havia muita gente naquele lugar, vinham peregrinos de todas as vizinhanças, principalmente nos dias de festas tradicionais marcadas no calendário judeu, festas oficiais que vigorava dentro da lei de Moises. Todo mundo queria fazer sua “adoração”, cumprir seu voto e agradecer pelo resultado da colheita, pelo nascimento de um filho, o livramento da morte e outros afins.

Neste grande aglomerado de gente não podia faltar ela, a feira, a mãe dos shoppings, supermercados e lojistas. A feira acontecia bem no pátio do templo e servia aos peregrinos para adquirirem seu “sacrifício” e trocar suas moedas romanas no câmbio pagar o imposto cobrado pela organização religiosa.

Como o templo era o grande centro de concentração da atividade da cidade, vendiam-se as necessidades para os clientes que estavam ligadas as barraquinhas e cada loja atendiam as pessoas conforme suas posses.

O profeta tratou de expulsar esses vendedores que praticamente transformaram o lugar em um mercadão da rua da igreja.

Feira Moderna

Sobrevivemos em uma sociedade que funciona como um mercado, uma grande feira de negócios voltada para obter lucros e números quantitativos.

Infelizmente a fé foi duramente afetada, a fé acabou não ficando fora dessa lógica e piora a cada dia que passa a forma como entendem e apresentam a fé.

A lógica comercial tomou conta das organizações religiosas e faz delas uma agência e um grande baile onde pessoas vão celebrar a sua individualidade. Cultos que viraram entretenimento e distração. Entreter para tirar a atenção o foco e a consciência de Deus sua vontade e o próximo. Relacionamos mais com fascínio do que com os problemas uns dos outros.

Para que tudo de muito certo nessas organizações o cliente deverá ser bem atendido nos seus desejos, tudo ao seu gosto e que ele saia com a impressão de que esta plenamente satisfeito, seu problema resolvido e com gostinho de quero mais e precise voltar.

Fazer uma organização religiosa funcionar muito bem e que de bons resultados mercadológicos não é tarefa fácil e hoje temos a mão os mecanismos de manipulação vindos das estratégias de marketing. O mercado das ilusões nas propagandas que nos oferecem mudar de vida se sabermos negociar o bem proposto. Esse mercado das ilusões transformou a propaganda em linguagem religiosa falsificando a fé.

Tratar o serviço a Deus como negócios e investimentos tendo o religioso como cliente em potencial faz do humano um pequeno deus a ser adorado mediante o resultado e o retorno que ele pode dar como números quantitativos de pessoas que se somam ao baile.

Quantidade de dinheiro que paga o cachê dos shows e ídolos, manutenção da organização que atenda e promova a distração e o entretenimento do arrependimento. Uma ideia de sofrimento pelo pagamento do pecado depois da via sacra, os clientes fazem seu trabalho religioso no templo e volta para casa com a consciência mais “leve”.

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O Senhor foi bem servido?

A quem estamos servindo?

Para que serve uma organização religiosa?

Por que nos servem assim?

Quando nos convertemos a Cristo de fato e de verdade não somos convertidos em clientes e nem em empregados. Quando nos convertemos a Cristo somos seus discípulos e nos tornamos seus servos, servos de Cristo. João vai mais além, nos tornamos seus amigos (João 15.14-15). Cristo é o autor da nossa fé (Hebreus 12.2).

Quando nos convertemos a Cristo, esta conversão não somos nós que realizamos, é preciso nascer do espírito (João 3). É Ele quem realiza em nós na obra do Espírito Santo, a partir dai, servimos a Cristo que foi servo e serviu a todos, assim estamos servindo a Deus.

O servo não sabe o que seu senhor deseja, apenas cumpri o seu dever, já o amigo não, sabe e participa do desejo do seu coração, porque Cristo tem nos revelado toda a vontade de seu Pai, como amigos passamos a cooperar com ele na missão.

Pessoas em organizações religiosas onde vivem brigando pela benção do poder já não sabem reconhecer as funções e os dons uns dos outros. Pessoas assim estão servindo a quem? Pessoas em organizações religiosas que não querem cooperar com Cristo em sua obra e preferem apenas receber o beneficio de ser cliente, a quem essa pessoa se converteu?

Deveríamos todos pensar em nossa amizade com Cristo e nos perguntar constantemente se o Senhor nosso Deus foi bem servido ou esta vendo a nossa cooperação em nossas organizações que só servem para servir ao corpo de Cristo.

Querer servir o próximo como serviço a Deus é amor, querer servir o próximo como serviço a si, voltados ao cumprimento dos próprios interesses individuais é troca de favores e é negócio. O resultado do amor é saber que a igreja esta edificada em Cristo e o resultado dos negócios no mercado da fé é saber que as organizações religiosas estão edificadas em ilusões.

Se formos amigos uns dos outros e de Cristo serviremos uns aos outros em amor, se formos apenas clientes uns dos outros, iremos apenas servi a si mesmo numa troca de favores lucrativa e egoísta.

Joaquim Tiago

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