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“Eu tenho visto tudo o que se faz neste mundo e digo: tudo é ilusão. É tudo como correr atrás do vento. Ninguém pode endireitar o que é torto, nem fazer contas quando faltam os números.” (Eclesiastes 1.14-15)

Correndo o risco de ser simplório para definições enormes que fazem parte até do consciente coletivo construído ao longo da história humana, vou arriscar um pensamento de fundamento bíblico.

A teologia da prosperidade ou confissão de fé positiva (auto-ajuda) ensina que você deve ter, ou possuir (tomar posse) porque você merece e é só saber desejar.

A generosidade ensina que se você recebeu, se você conseguiu com seus esforços, trabalho e vocação do qual o mesmo Deus lhe deu, foram para gerar vida, para repartir, dividir e abençoar ao próximo e a obra de Cristo.

O que a pessoa próspera em nome do seu deus vai fazer com suas posses depois que mereceu? Usar no seu benefício, porque afinal de contas ter merecido é entender de alguma forma sobre aquele que não mereceu. Quem não é merecedor, não soube tomar posse, não usou sua fé de confissão positiva e não brigou com seu deus. Condenado e imerecido, esse já tem sua condição de ser.

O que a pessoa generosa da qual Deus abençou, mesmo com pouco, sabe? Que de nada é possuído das coisas que tem. Todas as coisas são para dar posse e dignidade aos que necessitam. O generoso aprende a cooperar com seu Deus na obra de justiça distribuindo o que não é seu, mas do mesmo Deus que o deu, principalmente a vida. O generoso é semeador.

A vida tem um custo e no mundo que habitamos temos raras generosidades. Estamos em um mundo corrupto, a terra foi amaldiçoada pelo pecado e quem vai crer em um Deus de generosidade? Pessoas estão aprendendo a fazer negócios com Deus e mesmo quase todos os puritanos defensores da ortodoxia contra a mesma teologia de confissão positiva arroga o benefício de que mereceu para ter e a única generosidade cabe aos franciscanos da vida que fizeram seus votos de pobreza, aqueles que parecem não ligar com nada e conta apenas com a misericórdia divina.

A sobrevivência com justiça e dignidade custa o que sabemos para se manter. Quando buscamos o Reino de Deus não estou negando existir, mas existir tem como fundamento e prioridade seu Reino de justiça. Deus sabe o qual a necessidade tanto de pardais, erva do campo e a vida dos seus (leia Mateus 6.24-33). Deus é generoso e ninguém pode negar, caso contrário você pode pedir ele para da um fim em você.

O custo da vida de quem busca apenas o que merece se tornou ganância, e a mística da prosperidade não é desvirtude apenas de algumas igrejas, faz parte de todas as catedrais com escadas rolantes, ambiente climatizado, musica ambiente, praças de alimentação para comunhão e pequenos santuários com ícones, marcas e cultura de adoração.

Joaquim Tiago Bill

4/2/16

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