Quem é o seu próximo?

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Nessa vida de passagens, estamos correndo, todos os dias, estamos com pressa e não temos “tempo” (prioridades) a perder. Não se pode parar, por isso não temos como aproximar. Não dá para ser próximo de quem está deitado e caído.

Não dá para fazer uma aproximação que tire o momento dessa passagem, corremos muito para tentar ganhar a vida que se vai.

Estamos perto de uma grande multidão em distração e não dialogamos, não pensamos.  e hoje quando avistamos o que sofre sua aflição achamos melhor tirar uma foto, registrar uma “self” e colocar o “coitado” como parte das intenções invisíveis e compartilhadas.

Fica claro que não somos o próximo se não aproximamos. Quem é próximo do necessitado? O perito da lei não sabia quem é ser próximo.

Nunca estivemos tão ligado às pessoas e tão longe uns dos outros, nos aproximamos convenientemente, fazemos parte das redes e dos círculos, mas nos afastamos por convenções íntimas, particulares e individuais.

O Mestre diz: “Qual destes três você acha que foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?” simplesmente “Aquele que teve misericórdia dele”, respondeu o perito na lei. Jesus lhe disse: “Vá e faça o mesmo”. (Lucas 10:36,37)

Como se aproximar? Ir até o outro para cuidar, curar, se contaminar e “perder” “seu” tempo se arriscando? Só existe o próximo quando quem aproxima tem misericórdia. Pessoas passam perto, curte, compartilha, assiste e corre a linha do tempo. Os misericordiosos se aproximam porque não consegue ser indiferente a necessidade presente.

Para você amar a Deus você precisa ser o próximo de quem Ele ama. Mesmo com a pressa de quem também pode ser roubado, de quem tem compromissos religiosos, de que tem um evento para realizar e uma agenda para cumprir. Só aproxima de fato quem se identifica, quem sabe e vive a dor do outro.

Neste mundo de tantas indiferenças o amor vai se esfriando como o tempo vai passando, com as mesma pressa que temos para ganhar essa vida. Isso vai nos separando, polarizando nossas escolhas e já não sabemos mais quem está nas margens caído de uma sociedade espetacular, estética e moralista de suas escolhas.

O que é ser próximo? Da uma olhada em volta – “estou próximo de quem?” Qual a necessidade de quem é próximo a mim? O amor nos faz enxergar, perceber o que é necessário. Se não consigo compadecer, se não sou a misericórdia, não vou conseguir ver o outro como me vejo, enxergar as minhas necessidades como de todos. Se não percebo o outro do lado como vou perceber a Deus sobre todas as outras coisas dessa vida.

Você não conhece a necessidade de alguém estando longe, distraído com a imagem sem enxergar a realidade. Se você não aproxima, você não é/estar próximo, você é distante, Dele, do outro e de si mesmo.

Joaquim Tiago Bill

(24/11/16)

O mundo dos indiferentes

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O que o outro ou a outra situação pode me causar? O que o diferente pode ser diante de quem sou? Como pode parecer essa diferença que tenho? O que pode me causar a sua desigualdade?

O mundo com tantas necessidades iguais, com tantas fomes parentes é um mundo de diferentes pares, de diferentes pensamentos e sentimentos. Cada igual em sua carência luta por sua diferença, cada par luta por sua disparidade, cada fome alimenta seu necessitado.

A calamidade assustadora nesse mundo de iguais diferentes não é o ódio que cada um cultiva do outro, seja por ganância, vingança ou por inveja. A maior calamidade é a estranha mania de ser indiferente.

Qual o contrário do amor? Não é simplesmente do contrário que se trata, a ausência de amor não é feita por ódio, é feita por indiferença. Quem ama pode até odiar, passar raiva. Quem é indiferente não sabe mais amar.

O indiferente difere o outro em detrimento a si, e em si cultiva seu narcisismo, sua perversão mais doente, o mundo foi criado para mim.

Quem mais se importa? Quem mais se preocupa? Quem mais ajuda a causa? Perguntas tão distante de uma realidade bem diferente.

O cristianismo nos lembra de tanta coisa, de tantos acontecimentos, pensamos praticamente na religião, aos que frequentam templos, que tem costumes culturais restritos ou irrestritos.

Não precisamos de mais um discurso religioso, mas a verdade do evangelho é que quando Deus olhou para nós, para o outro, para o mundo, quando olhou para nossa situação tão diferente a Ele, Ele não foi indiferente, Ele amou!

Deus nos amou enviando e entregando seu filho para levar sobre si toda indiferença desse mundo, toda culpa e pecado.

Estar em um culto para ser diferente do Deus do amor, esperando que Ele apenas abençoe indiferente do que eu seja não é o mesmo que cultuar o Deus que se manifesta para todos em seu próprio amor.

Este mundo já esta cheio de pessoas diferentes e todas iguais em suas carências.

Deus não é indiferente, Ele esta sofrendo com os que sofrem se importando com a dor, o amor que nos salva. Ele se importa, ouve e nos faz diferente de um mundo tão indiferente.

Nele!

Joaquim Tiago Bill
(08/11/2016)

Desumanidade, humanidade e humildade

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“O topo da inteligência é alcançar a humildade.” (Textos Judaicos)

A humildade não vem com um simples falar, os maiores significados estão na atitude que pode alcançar suas expressões. A humildade nem sempre aparece porque ela está sempre se negando.

A atitude do humilde é ter consciência das próprias limitações; modéstia e simplicidade.

Somos uma geração que vive da sua imagem, da apresentação, da quantidade, se não é todos, pelo menos atinge a grande maioria. É a vaidade, ser envaidecido de algo, de si, da existência. Buscar auto suficiência, auto promoção, se auto gerir pela vida e não ter que depender da ajuda. O grande perigo da soberba é tentar viver apenas por si.

Buscamos mecanismos e meios para se tornar independentes, mecanismos para gerir a própria vida de forma que garanta a liberdade e não precisar ter que responder a alguém, da conta do que se faz. Não queremos depender de donos, de financiadores, de empregos, de líderes, da política e de família. Dependentes não querem mais ser controlados e todo o controle aqui nessa terra é sempre por vias do opressor e pode se tornar humilhante.

Um sistema de opressão passa pela atividade de muitas humilhações.

Doutro lado, o humilde não é o que não tem alguma vaidade, o humilde não é aquela pessoa que suporta humilhação por toda sua vida, não pode ser sempre maltratado, miserável e “feio”. Isso tudo pode se tornar também uma outra forma de vaidade de quem escolheu ser feio e sofredor para tentar projetar uma imagem de humilde. Um estilo de aparente negação de si, mas gostando de parecer “simples”, uma pessoa sem “paixões”. Um vaidoso de seu sofrimento, de sua aparente simplicidade pode no fim ser o mesmo arrogante disfarçado, miserável de si.

Numa tentativa de significado, o humilde é quem consegue ter controle consciente de suas paixões, suas vaidade, da sua auto suficiência; o humilde reconhece e briga contra si para controlar o seu orgulho. Na humildade eu reconheço quem sou, o que devo ser para lutar e controlar minha auto suficiência. Humilde aprende quando dizer não e dizer para si mesmo.

Tudo que conquistamos e somos não é um grande problema, o problema é como lidamos com quem somos, lidamos com o que conquistamos ou temos. Como controlamos nossos temperamentos e sentimentos. Como lidamos consigo, com o outro e com Deus.

Quanto mais conhecimento, dinheiro, posição social conseguimos ou nos é acrescentado, tudo isso deveria nos dar as obrigações para ser mais responsável, para ajudar, responsável de contribuir, de partilhar ao outro.

O que aprendemos com Cristo?

Participar do seu sofrimento, da sua humilhação (1Pedro 5), porque ele tinha todo poder, mas se controlou, foi humilde, se humilhou. (Filipenses 2) Nada tirou Jesus Cristo de sua missão, de seu propósito.

Pessoas querem ser de Cristo mas ainda querem ser auto suficientes, se auto salvar e se auto estabelecer, essas pessoas precisam se converter. O centro do evangelho está em Cristo e Nele a humildade. A igreja de Cristo é feito de pessoas humildes!

Deus tratou várias vezes com seu povo e servos para nos tornar humildes. Somente os humildes herdarão o reino de Deus. (Salmo 37 – Mateus 5,5).

Caminhamos em uma terra de desumanidade, de arrogância, ganância e auto suficiência, independência e individualização. Em Cristo vemos, entendemos e sabemos que somos o novo sacrifício, um sacrifício consciente (Romanos 12). Em Cristo e os que estão Nele estão também participando do seu sofrimento, da sua humilhação, esse é outro caminho. Jesus se controlou negando a si em obediência ao Pai. Em humildade seus discípulos também caminham, levando cada um sua cruz sem obrigações, mas controlando e se negando, transformando a sua natureza e reconhecendo que a vontade do Pai é melhor que a sua.

Joaquim Tiago Bill

(1/11/16)