A tristeza segundo Deus e a tristeza segundo o mundo

angustia

“Deus sussurra a nós na saúde e prosperidade, mas, sendo maus ouvintes, deixamos de ouvir a voz de Deus. Então Ele gira o botão do amplificador por meio do sofrimento. Aí então ouvimos o ribombar de Sua voz”. (C. S. Lewis)

Todos nós enfrentamos momentos de tristeza, de angústia, de medo e ansiedade. Cristo nosso Senhor enfrentou momentos de grandes dores, temores, melancolias e tristeza. Existem momentos tristes que passam e outros que já não são momentos, mas dias e anos que insistem em durar, em ficar.

A tristeza pode trazer sofrimentos submetendo nosso sistema nervoso ao desgaste sendo consciente ou inconsciente. “Quando se manifesta de forma consciente provoca dor ou infelicidade, quando é inconsciente se traduz em esgotamento ou cansaço.” Vivemos mesmo em um mundo de aflições, somos afligidos e nosso maior desafio é continuar a ter animo, ser reanimado nesse dia para continuar a caminhar.

A dor pode ser também um remédio amargo no dia da angústia, a tristeza pode ser transformada em motivo para buscar cura para enfermidade e o que nos faz sofrer. Se não existe vida sem encarar temores e aflições, é porque não existem motivos maiores para continuar a enfrentar cada infelicidade. Toda dor pode ser também um grande alto-falante de Deus em nossos ouvidos nos alertando para a mudança. Precisamos entender e discernir a tristeza que vem de Deus e a que vem do sistema que governa o mundo, a de Deus produz arrependimento e do sistema mundano o remorso e a morte.

“Porque a tristeza segundo Deus opera arrependimento para a salvação, da qual ninguém se arrepende; mas a tristeza do mundo opera a morte.” (2Coríntios 7.10)

Joaquim Tiago Bill
(13/07/16)

*Amigos(as), irmandade e comunidade, estou voltando ao desafio de escrever o devocional diário e espero contribuir para nossa espiritualidade e caminhada de fé. Compartilhe, indique, comente e se achar legal curta. Esteja em paz e com o Eterno.

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Como se justifica a vida?

Cristo lavando pes

“Ao aceitar, pela fé, o que Deus sempre desejou para nós – consertar nossa situação com ele, tornar-nos prontos para ele -, alcançamos tudo isso com Deus por causa do nosso Senhor Jesus. Mais ainda, abrimo-nos para Deus e descobrimos, ao mesmo tempo, que ele já se abriu para nós e nos achamos no lugar que ele queira que estivéssemos – perante a graça de Deus, na presença dele, expressando nosso louvor.” (Romanos 5.1-2)

A obra de Deus na vida de Cristo nos justifica a viver. Esse justo vive pela fé da qual o próprio Cristo é o autor. A vida de Cristo nos mostra como se deve ser.

O que Deus esta desejando é nós tornarmos prontos para Ele e assim a justificação em Cristo tem dois pontos fundamentais que são: 1) A obrada da redenção creditada a nós sem mérito; 2) O outro é a obra que o próprio Deus quer realizar conosco através da sua vontade, como fez em Cristo, isto é, levando a nossa cruz e sacrificando a nossa própria vontade.

A obra de fé em Cristo não é nossa, humana e caída, não é apenas a nossa maneira de pensar, não é um sentimento e um atributo intelectual. A obra de fé, como a fé de Abrão que creu e isso lhe foi imputado como justiça (Gn 15.6) é ouvir e obedecer a Deus mesmo sem religião (Rm 4).

Podemos nos justificar diante de Deus como muitos tentaram, como muitos ainda tentam buscando a meritocracia ou os próprios méritos. Quem esta em missão é Deus e nesse caso somos seus cooperadores obedientes.

Lembra quanto em certa ocasião um perito na lei (fariseu) tentou colocar Jesus Cristo a prova e se justificar com suas obras religiosas? Ele lhe perguntou:
_”Mestre, o que preciso fazer para herdar a vida eterna?”
Cristo lhe perguntou:
_”O que está escrito na Lei? Como você a lê?”
Ele respondeu:
_”Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma, de todas as suas forças e de todo o seu entendimento e ame o seu próximo como a si mesmo.”
_Disse Jesus:
_”Você respondeu corretamente. Faça isso, e viverá.”
Na dúvida e na mão da contramão do que fazia, ele querendo justificar-se, perguntou a Jesus:
_”E quem é o meu próximo?”
Cristo lhe contou uma história bem interessante para poder ilustrar o seu próximo (parábola). A história da vida real foi sobre um homem ESTRANGEIRO que estava fugindo dos horrores da guerra em sua aldeia com toda a sua família, ele tentava salvar seus filhos e buscar um futuro melhor. Mas no meio do caminho dificultoso pelas montanhas havia o grande mar onde foram atingidos pela tempestade e grandes ondas, desafios naturais que não tinham como transpassá-los devidos os poucos recursos de transporte como carros de guerra e fortes navios. O filho atingido foi deixado pelo caminho, as margens da praia. Durante o êxodo desesperado pela sobrevivência passou religiosos, passou toda uma potência religiosa que esta assistindo em seus recursos tecnológicos, mas não podiam ajudar. Eles tinham suas justificações e não deviam politicamente se envolver e nem quiseram atender o pobre ESTRANGEIRO. Somente um Cisjordânio (samaritano islâmico) o ajudou. Ao que Jesus lhe perguntou…
_”Qual destes três você acha que foi o próximo da família que foi vitimada pela maldade humana em todas as suas guerras?”
O perito da lei religioso afirmou:
_”Aquele que teve misericórdia dele!”
_“Jesus lhe disse: Vá e faça o mesmo!”
(Lucas 10: 25-37)
Saber da fé é uma coisa, mas ser transformado em justo pela fé é outra coisa menos religiosa e bem diferente! A vida não se justifica por nossos méritos, se justifica por aquele que é por nós.

A obra de Deus não somos nós que fazemos, é Ele quem realiza através de nós quando obedecemos como Cristo Jesus foi obediente.

Joaquim Tiago

11/09/15

Justificador

O que vem a ser a justiça?
Etimologicamente, este é um termo que vem do latim justitia. É o principio básico que mantém a ordem social através da preservação dos direitos em sua forma legal. A justiça é aquilo que deve fazer de acordo com o direito, a razão e a equidade.
 
Em Aristóteles aprendemos que os meios para se atingir a felicidade são as virtudes (formas de excelência), discutidas por ele na Ética a Nicômaco. As virtudes são disposições de caráter cuja finalidade é a realização da perfeição do homem, enquanto ser racional. A virtude consiste em um meio-termo entre dois extremos, entre dois atos viciosos, um caracterizado pelo excesso e outro pela falta, pela carência.
 
Aristóteles divide as virtudes em dianoéticas (ou intelectuais), às quais se chega pelo ensinamento, e éticas (ou morais), às quais se chega pelo exercício, pelo hábito. As virtudes éticas, enquanto virtudes do saber prático, não se destinam ao conhecer, como as dianoéticas, mas à ação. Para sua aquisição o conhecimento tem pouca ou nenhuma importância.
Das virtudes dianoéticas, a de maior importância é a phrónesis (prudência), capacidade de deliberar sobre o que é bom ou mal, correto ou incorreto. Das virtudes éticas, a mais importante é a justiça.
 
A justiça cumpre a lei na busca do direito de todos e do necessitado. A lei para Jesus Cristo se resume no amor, aquele que ama cumpriu toda a lei. “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e com toda a tua capacidade intelectual’ e ‘Amarás o teu próximo como a ti mesmo’” (Lc 10.17). “Porque o fim da Lei é Cristo, para justificação de todo o que crê.” (Rm 10.4) “Ora, o fim do mandamento é o amor de um coração puro, e de uma boa consciência, e de uma fé não fingida.” (Tm 1.5)
 
Jesus Cristo é nosso justificador, morreu para fazer-se justiça em nosso lugar, deu a sua vida para que tivéssemos o direito de ser salvo e ter a vida eterna.
 
Joaquim Tiago
9/9/15

Direitos e deveres

Entre o direito e os deveres esta também a luta pela sobrevivência. Entre todas as lutas na busca pelo sustento da fome de pão e da fome de existir, esta a fé, a graça, o merecimento e a vontade própria, a justiças de si mesmo. Em Deus temos graça, o que justifica a real sobrevivência e existência na FÉ e dependência no Cristo. Por si mesmo buscamos todos nossos direitos e lutamos incansavelmente para nos justificar, justificar a violência, a dependência em entorpecentes, a independência financeira servindo ao deus deste século (Mamon). Onde esta sua vida?

sexta, 24 de julho, 2015

A Revolução

Se há alguma prioridade na vida pessoal ou profissional do cristão mais importante que o senhorio de Jesus Cristo, ele se desqualifica como testemunha do evangelho e como participante de terna revolução. Desde o diaem que Jesusrompeu os grilhões da morte e a era messiânica irrompeu na história, há uma nova pauta, um conjunto singular de prioridades e uma hierarquia revolucionária de valores para o crente. O carpinteiro não simplismente refinou a ética platônica ou aristotélica, não apenas a maior parte (Lc 14:33); devemos abandonar nossa velha maneira de viver, não meramente corrigir nela algumas leves aberrações (Ef 4:22); devemos ser uma criação totalmente nova, não simplismente uma versão reformada (Gl 6:15) ; devemos ser transformados de glória em glória, chegando mesmo à imagem do Senhor – transparentes (2Co 3:18); nossa mente deve ser renovada por uma revolução espiritual (Ef 4:23).

MANNING, Brennan – Meditações para Maltrapilhos, pg 183 – Mundo Cristão

GANHEI CORAGEM

por: Rubem Alves

“Mesmo o mais corajoso entre nós só raramente tem coragem para aquilo que ele realmente conhece”, observou Nietzsche. É o meu caso.

Muitos pensamentos meus, eu guardei em segredo. Pormedo. Alberto Camus, leitor de Nietzsche, acrescentou um detalhe acerca da hora em que a coragem chega: “Só tardiamente ganhamos a coragem de assumir aquilo que sabemos”. Tardiamente. Na velhice. Como estou velho, ganhei coragem.

Vou dizer aquilo sobre o que me calei: “O povo unido jamais será vencido”, é disso que eu tenho medo.

Em tempos passados, invocava-se o nome de Deus como fundamento da ordem política. Mas Deus foi exilado e o “povo” tomou o seu lugar: a democracia é o governo do povo. Não sei se foi bom negócio; o fato é que a vontade do povo, além de não ser confiável, é de uma imensa mediocridade. Basta ver os programas de TV que o povo prefere.

A Teologia da Libertação sacralizou o povo como instrumento de libertação histórica. Nada mais distante dos textos bíblicos.  Na Bíblia, o povo e Deus andam sempre em direções opostas. Bastou que Moisés, líder, se distraísse na montanha para que o povo, na planície, se entregasse à adoração de um bezerro de ouro. Voltando das alturas, Moisés ficou tão furioso que quebrou as tábuas com os Dez Mandamentos.

E a história do profeta Oséias, homem apaixonado! Seu coração se derretia ao contemplar o rosto da mulher que amava! Mas ela tinha outras idéias. Amava a prostituição. Pulava de amante e amante enquanto o amor de Oséias pulava de perdão a perdão. Até que ela o abandonou.  Passado muito tempo, Oséias perambulava solitário  pelo mercado de escravos.  E o que foi que viu? Viu a sua amada sendo vendida como escrava. Oséias não teve dúvidas. Comprou-a e disse: “Agora você será minha para sempre.” Pois o profeta transformou a sua desdita amorosa  numa parábola do amor de Deus.

Deus era o amante apaixonado. O povo era a prostituta. Ele amava a prostituta, mas sabia que ela não era confiável. O povo preferia os falsos profetas aos verdadeiros, porque os falsos profetas lhe contavam mentiras. As mentiras são doces; a verdade é amarga.

Os políticos romanos sabiam que o povo se enrola com pão e circo. No tempo dos romanos, o circo eram os cristãos sendo devorados pelos leões. E como o povo gostava de ver o sangue e ouvir os gritos! As coisas mudaram. Os cristãos, de comida para os leões, se transformaram em donos do circo.

O circo cristão era diferente: judeus, bruxas e hereges sendo queimados em praças públicas. As praças ficavam apinhadas com o povo em festa, se alegrando com o cheiro de churrasco e os gritos. Reinhold Niebuhr, teólogo moral protestante, no seu livro “O Homem Moral e a Sociedade Imoral” observa que os indivíduos, isolados, têm consciência.  São seres morais. Sentem-se “responsáveis” por aquilo que fazem. Mas quando passam a pertencer a um grupo, a razão é silenciada pelas emoções coletivas.

Indivíduos que, isoladamente, são incapazes de fazer mal a uma borboleta, se incorporados a um grupo tornam-se capazes dos atos mais cruéis. Participam de linchamentos, são capazes de pôr fogo num índio adormecido e de jogar uma bomba no meio da torcida do time rival. Indivíduos são seres morais. Mas o povo não é moral. O povo é uma prostituta que se vende a preço baixo.

Seria maravilhoso se o povo agisse de forma racional, segundo a verdade e segundo os interesses da coletividade. É sobre esse pressuposto que se constrói a democracia.

Mas uma das características do povo é a facilidade com que ele é enganado. O povo é movido pelo poder das imagens e não pelo poder da razão. Quem decide as eleições e a democracia são os produtores de imagens. Os votos, nas eleições, dizem quem é o artista que produz as imagens mais sedutoras. O povo não pensa. Somente os indivíduos pensam. Mas o povo detesta os indivíduos que se recusam a ser assimilados à coletividade.

Uma coisa é a massa de manobra sobre a qual os espertos trabalham.

Nem Freud, nem Nietzsche e nem Jesus Cristo confiavam no povo. Jesus foi crucificado pelo voto popular, que elegeu Barrabás.

Durante a revolução cultural, na China de Mao-Tse-Tung, o povo queimava violinos em nome da verdade proletária. Não sei que outras coisas o povo é capaz de queimar.

O nazismo era um movimento popular. O povo alemão amava o Führer.

O povo, unido, jamais será vencido!

Tenho vários gostos que não são populares. Alguns já me acusaram de gostos aristocráticos. Mas, que posso fazer? Gosto de Bach, de Brahms, de Fernando Pessoa, de Nietzsche,  de Saramago, de silêncio; não gosto de churrasco, não gosto de rock, não gosto de música sertaneja,  não gosto de futebol. Tenho medo de que, num eventual triunfo do gosto do povo, eu venha a ser obrigado a queimar os meus gostos e a engolir sapos e a brincar de “boca-de-forno”, à semelhança do que aconteceu na China.

De vez em quando, raramente, o povo fica bonito. Mas, para que esse acontecimento raro aconteça, é preciso que um poeta entoe uma canção e o povo escute: “Caminhando e cantando e seguindo a canção.”, Isso é tarefa para os artistas e educadores. O povo que amo não é uma realidade, é uma esperança.

Do calculo impossível

por: Delor

“Nossa certeza é que prosseguir, ainda que não por tentativa e erro, implica erro necessário. Entendemos que toda tentativa é erro necessário, isto é, toda tentativa é inexoravelmente errância”. (Antonio Jardim, Música: vigência do pensar poético, 2005, p. 22).

Porque não podemos admitir que para nos aproximar de alguma coisa é necessário mais do que técnica. O que faz que continuemos redirecionando o valor da verdade, aquilo que é restritamente empírico? Tais questões pertencem a ciência. É no resgatar-mos a dimensão da impossibilidade, do irreal, e da fé naquilo que esta registrado na alma, ou na memória mais profunda, onde se esconde-se a esperança e o sonho, assim como uma musa que ao se esconder nos inspira.

É essa memória que nos leva perseverá até o ato da paixão. Não quero reduzir tudo o que creio a luz científica, permitirei que a novidade do Reino de Deus ensine-me a reconhecer na radicalidade do amor: “Nisto reconhecerão todos que sois meus discípulos se tiverdes amor uns pelos outros” (João, 13:35).

O caminho do amor é um caminho verdadeiro, porém é sempre um caminho incerto quanto a segurança pessoal, e a resposta hostil que podemos ter do mundo-sistema e das pessoas (o amor é sempre um convite a sair de algum exílio, para um o êxodo, é um sacrifício maior/ Páscoa , deixar de ser escravo é um risco). É impossível que calculemos as probabilidades da eficácia do amor quando nos doamos aos outros por amor.

Para nós que amamos, o amor pode representar sempre risco, para aqueles no qual amamos é sempre novo caminho, uma possibilidade, e uma escolha, entre: a luz e as trevas, a vida e a morte. Amor é vida plena, sob a ameaça constante da morte, mas a morte não pode detê-lo ele ressuscita, por aquele que nos deu o mandamento da amar e que já ressuscitou: Cristo Jesus.

link: Delor Júnior

Cultura

O girino é o peixinho do sapo.

O silêncio é o começo do papo.

O bigode é a antena do gato.

O cavalo é o pasto do carrapato.

O cabrito é o cordeiro da cabra.

O pescoço é a barriga da cobra.

O leitão é um porquinho mais novo.

A galinha é um pouquinho do ovo.

O desejo é o começo do corpo.

Engordar é tarefa do porco.

A cegonha é a girafa do ganso.

O cachorro é um lobo mais manso.

O escuro é a metade da zebra.

As raízes são as veias da seiva.

O camelo é um cavalo sem sede.

Tartaruga por dentro é parede.

O potrinho é o bezerro da égua.

A batalha é o começo da trégua.

Papagaio é um dragão miniatura.

Bactéria num meio é cultura.

Arnaldo Antunes