A Graça do Vinho Novo

"vinho novo é melhor"
"vinho novo é melhor"

Por: Joaquim Tiago

“Ninguém põe vinho novo em odres velhos. Se alguém fizer isso, os odres rebentam, o vinho se perde, e os odres ficam estragados. Pelo contrário, o vinho novo é posto em odres novos, e assim não se perdem nem os odres nem o vinho.” Cristo, Jesus. Evangelho de Mateus 9.17

Ganhei de graça uma porção de vinho novo! Que Maravilha, uvas frescas e de boa procedência, a melhor procedência. Recebi em meu coração esse presente do Senhor.

A presença do vinho é marcante e é a melhor que tenho, não defino, mas ela me define como tenho que ser definido. É sua escolha como acomodá-lo, é onde acontece à formação do odre, a formação de um novo odre para o vinho novo.

A importância do receptor chamado odre não esta em si mesmo, mas na ação de não perder o vinho, o odre não existe por si, mas para agir em função da absorção e guarnição, para que não se perca o precioso vinho que me é oferecido pela graça. De todo jeito ele esta lá, como minha vida sendo formada para essa função. A vida muda em função do vinho novo, se renova, por que não se coloca vinho novo em uma vida velha nos seus conceitos, em um odre velho formado e acostumado ao vinho velho.

O vinho novo é o melhor, porém a mudança não é fácil, não é tão fácil desaprender, reconhecer, se transforma novamente em humano e depender de outra transformação. Quero manter o controle por que estou acostumado com aquele vinho que já não mais tem tanto gosto de vinho, mas de vinagre. Sei de cada espaço, onde cada reservatório pode ser completo e ficar quieto, cada entranha da vida e da alma. Tudo muito amarradinho com certos conceitos, pré-conceitos e preceitos que dão na mesma coisa, na mesma repetição, na mesma religião.

Como sei que sou teimoso e custo a cair do cavalo por que não quero beijar o chão, custo a percebe que estou dando voltas no deserto, demoro a ver o que o profeta ta falando como aconteceu com Davi e Natã: “você é esse homem!” (2Sm 12:7). Cometo um grave erro e a mudança devida não é feita. Fico tentando colocar o vinho novo no odre velho, tentando colocar o puro no impuro, o belo no que já ficou feio, o cheiro novo em algo que esta azedando.

Não permito ser apenas humano e seguir os passos de Cristo sendo submisso e fiel, mas quero ser “deus” para poder controlar, para poder tentar misturar bem as duas coisas ao meu modo, ao meu paladar do tempero morno e um pouco sem sal, um pouco sem gosto, um pouco disso e daquilo, um pouco de mim e um pouco do que “entendo” do Senhor. Não da certo!

O odre arrebentou, furou, estragou, já era, é o fim! Aquela história de nem uma coisa e nem outra.

A vasilha ta muito feia espiritualmente falando, ta cheia do que não presta, ou se presta, prestou um dia e hoje se vive do passado ou do repetir o que prestou. Melhor seria não ter insistido em colocar o vinho novo aqui. Melhor não ter insistido em ser manipulador desta mistura que não da certo e fez levedar toda a massa. E o pior é que se perdeu tudo, tanto o velho como o novo, tudo se foi porque se partiu em pedaços, dessa mistura.

Não estou tratando da multiforme manifestação, mas da ruptura do conteúdo que não muda. Muda-se por dentro primeiro com o vinho e transforma-se em um novo odre para receber o novo vinho. Para haver essa mudança reconhecemos nosso vencimento e nossa estrutura, como estou por dentro e como tenho que me esvaziar deste vinagre para que novo venha me mudar, fazer um vaso novo, quebrar e refazer para que o novo e fresco vinho da graça me encha novamente.

Se eu não sinto vontade de orar mais, se não sinto vontade de ler a palavra revelada do Senhor, se não sinto vontade e prazer em cumprir o chamamento de ir e fazer discípulos, se não quero mais chorar pelos aflitos e perdidos, se vivo com indiferença a presença do Senhor e não vejo seu rosto na face do aflito, do perdido, da criança, dos jovens e adolescentes órfãos, ENTÃO MEU ODRE TA VELHO, O VINHO É VINAGRE E SEM GOSTO E DE NADA MAIS SERVE A NÃO SER PRA SER A MESMA COISA.

Um odre velho só vive de aparências estranhas, não ta curado e nem cura ninguém.

Penso e reflito: Quem da o vinho? Quem transformou água em vinho novo naquela festa de casamento? Não devemos nos embriagar com vinho que leva a a contenda (libertinagem), mas devemos nos deixar encher pelo Espírito, esse é sempre o vinho novo que nos leva a trocar idéias e falar uns com os outros de salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando e louvando de coração ao Senhor (Éf 15:18,19).

Esse é o molde para um novo odre. É conteúdo de vida, e vida em abundância!

“Por que Dele, por Ele e para Ele são todas as coisas.”


O Amor é Essencial

lavapes

Por: Joaquim Tiago

dou.tri.na

s. f. 1. Conjunto de princípios em que se baseia um sistema religioso, político ou filosófico. 2. Opinião em assuntos científicos. 3. Catequese cristã.[1]

Cristianismo Legalista

Este é um Deus do evangelho da graça. Um Deus que, por amar-nos, enviou, envolto em carne humana, o único Filho que jamais tivera. Seu filho aprendeu a andar, tropeçou e caiu, chorou por seu leite, transpirou sangue na noite, foi fustigado com acoite e recebeu muitas cusparadas, sendo preso à cruz e morrendo, não sem sussurrar perdão sobre todos nós.

O Deus do cristão legalista, por outro lado, é com frequência imprevisível, errático e capaz de toda sorte de preconceito. Quando enxergamos Deus dessa forma, sentimos compelidos a praticar algum tipo de mágica para aplacá-lo. O culto dominical passa ser uma apólice de seguro supersticiosa contra seus caprichos. Esse Deus espera que todas as pessoas sejam perfeitas e sejam a todo instante capazes de controlar sentimentos e pensamentos. Quando os dilacerados que detêm esse conceito de Deus fracassam – o que inevitavelmente o correrá -, em geral contam que serão punidos. Assim, perseveram nas práticas religiosas ao mesmo tempo que lutam por manter uma imagem oca de um eu perfeito. A luta em si exaustiva. Os legalistas nunca conseguem viver à altura das expectativas que projetam para Deus. (Mc 7.6-7). (MANNING. Meditação para Maltrapilhos, pg. 148).[2]

Conjunto de Princípios (Cl 1:15-20)

O conjunto de princípios não é simplesmente um conjunto de regras. O conjunto de princípios é um conjunto de origem e fundamento para qualquer regra.

Creio na revelação bíblica e também a vejo como um conjunto de valores fundamentais para minha vida e para vida da comunidade. Por esse conjunto que procuro dar rumo ao caminhar. Sem preconceito!

Sei também das várias formas de interpretações, regras e suposições existentes, onde mora o perigo dos desvios de conduta, dos desvios de orientações. Busco saber diariamente via Graça educadora do Senhor o que é perfeito, bom e agradável ao Senhor, como sacrifício vivo, culto consciente (Rm 12:1,2).

O principio fundamental para todas as coisas, questões ou frutos é o amor. Deus é amor (1Jo 4:16)! Creio que toda ação comunitária, e todo exercício dos dons relatados pelo apóstolo Paulo na primeira carta aos Coríntios (1Co 12) e também na carta aos Efésios (Ef 4:11) é tudo fruto de uma boa consciência que por sua vez é fruto do amor. Amor procedente de um coração puro (1Tm 1:5).

Para compartilhar da identidade do Pai Eterno e seus princípios esforçarei-me exercitando o amor. A ação motivadora para todas as coisas é o amor – A Deus e ao próximo (Mt 22:37-39). É um principio delineador de conduta, de valores contra o eu.

Assim o que podemos fazer na vida e na comunidade é pensando no outro, no relacionamento (espiritual), construindo valores fundamentados em boas obras. Essa ação requer renuncia. Sei que fui convocado para ser discípulo e ensinar (testemunhar) a guardar todas as boas coisas (Mt 28:19,20). É a vida de Cristo me ensinando como o homem deve ser. Já não vivo mais ou não vive mais o eu, mas Cristo vive em mim (Gl 2:20). É a luta entre o espírito e a filia (doença) dos sentidos carnais, entre o ego e a cruz (Gl 5:16-18).

Não serei mais escravo, posso não querer determinadas coisas por amor a Deus e ao próximo. Esses são princípios que regem a vida, assim luto para manter a fé e a boa consciência (1Tm 1:19).

Os valores (espirituais) que regem agora os princípios esta presente na vivência onde compartilho com outras pessoas boas obras em cada lugar e em cada coisa (1Co 2:14,15). Os valores de toda comunidade de discípulo do Mestre só podem ser baseados em princípios bíblicos; revelados. Todos são alcançados integralmente por bons frutos – dando liberdade e trazendo libertação aos encarcerados.

Por isso o Apóstolo Paulo escreve na maior parte de suas cartas exortações às igrejas, corrigindo várias questões, onde a comunidade fugiu aos princípios elementares. Exageraram e faltaram com boa consciência entre as pessoas. Por muitas vezes o Apóstolo tinha que voltar ao “leite espiritual” porque o povo não amadurecia (1Co 3:1-3). O corpo ficava prejudicado com pessoas fracas e doentes. As pessoas não sabiam mais discernir a si próprio (1Co 11:17-34).

Para chegar a uma sábia conclusão é valido pensar em uma das sete cartas direcionadas as igrejas da Ásia pelo Apóstolo João que se encontra no livro do Apocalipse. A carta à igreja de Éfeso (Ap 2:1-7), principal comunidade local, é uma séria advertência, por não dizer fatal para o corpo. Éfeso é uma comunidade boa e zelosa com trabalhos árduos e perseverantes contra os falsos apóstolos, impostores que abusam da boa fé. Porém havia abandonado o ESSÊNCIAL! Essencial para junta dos membros (Ef 4:14-16): O primeiro amor (Ap 2:4)!

Por vezes somos levados por vento de princípios que nos faz esquecer do Cristo; o que se entregou. Para nós discípulos do Mestre o maior valor cultivado é perder a própria vida para que Cristo seja agora a nova vida (Mt 10:39). Ficamos tentando ganhar o que já não tem mais sentido, esses são princípios do sistema perverso dominado pelo anti-Cristo, deste tempo (hipermoderno[3]) de egoísmo e individualismo.

__________________________________________________

[1] Dic Michaelis – UOL
[2] MANNING, Brennan. Meditações para Maltrapilhos. SP: Ed. Mundo Cristão
[3] Hipermodernidade é o termo criado pelo filósofo francês Gilles Lipovetsky para delimitar o momento atual da sociedade humana. O termo “hiper” é utilizado em referência a uma exacerbação dos valores criados na Modernidade, atualmente elevados de forma exponencial. A Hipermodernidade é caracterizada por uma cultura do excesso, do sempre mais. Todas as coisas se tornam intensas e urgentes. O movimento é uma constante e as mudanças ocorrem em um ritmo quase esquizofrênico determinando um tempo marcado pelo efêmero, no qual a flexibilidade e a fluidez aparecem como tentativas de acompanhar essa velocidade. Hipermercado, hiperconsumo, hipertexto, hipercorpo: tudo é elevado à potência do mais, do maior. O termo Hipermodernidade como idéia de exacerbação da Modernidade surgiu em meados da década de 70 e ganhou destaque em 2004 graças ao estudo de autores franceses e ao livro “Os tempos hipermodernos” do próprio Lipovetsky.


Filosofia e Teologia, Fé e Razão

Sabemos que Teologia e Filosofia são ciências distintas, quer pelo método quer pelo objeto. Enquanto a Filosofia procede por raciocínios lógicos, a partir dos primeiros princípios da razão pura e tem como objeto primeiro o mundo e o homem, tais como se apresentam ao estudioso pela experiência, a Teologia, por sua vez, procede a partir do ato de fé na revelação divina, procurando um certo entendimento dessa fé, e o seu objeto primeiro é o próprio Deus tal como se dá a conhecer em sua autorrevelação. Assim, a Teologia pode ser dita ciência da fé, enquanto a Filosofia é a ciência da razão.
Tal distinção, contudo, não leva necessariamente a uma separação entre as duas ciências. Alias, ao longo da história da Igreja, pode-se verificar que Teologia e Filosofia muitas vezes se mostraram em íntima relação.
Sejam citados aqui o período patrístico e escolástico, que testemunham a relação harmoniosa entre teologia e filosofia, estabelecida na obra fecunda de um Santo Agostinho (+ 430) ou de um Santo Tomás de Aquino (+ 1274). Não podemos dizer, entretanto, que faltem autores na modernidade ou na contemporaneidade que procuraram correlacionar as duas ciências; sejam lembrados João de Santo Tomás, o Cardeal Cajetano, Leibniz Maritain, Étienne Gilson, Josef Pieper etc.
Uma pergunta surge: Por que Teologia e Filosofia, sendo distintas, podem se relacionar? Na verdade, Teologia e Filosofia podem realizar um frutífero conúbio na medida em que seu objeto coincide, ainda que parcialmente. Sim; a Teologia, como já se disse, tem por objeto primeiro Deus, tal como ele mesmo se deu a conhecer pela revelação judaico cristã; o homem e o mundo caem também sob a consideração da teologia na medida em que se relacionam com Deus ou são vistos sob a luz de Deus revelador. A Filosofia, por sua vez, como já notamos, tem como objeto primeiro de sua consideração o mundo e o homem percebidos pela experiência, mas pode chegar ao ABSOLUTO – DEUS – como fundamento radical do mundo e do homem.
Desse modo é fácil ver que tanto a Teologia como a Filosofia tratam de Deus, do mundo e do homem. A primeira, por um movimento de descida (Katabasis), vai de Deus até o homem e o mundo considerados sob a luz da fé na autorrevelação de Deus; a segunda, por um movimento de subida (Anabasis), vai do mundo e do homem até Deus, considerado sob a luz da razão interrogante.
E é exatamente essa comunidade de objeto que torna possível a relação entre ambas.
Umas das sistematizações mais consistentes da relação entre fé e razão encontra-se na grandiosa obra de Santo Tomás de Aquino. O Aquinate viu bem que, sendo Deus, ao mesmo tempo, o criador da ordem racional e o autor da fé, não poderia haver contradição de iure entre ambas, preservadas as devidas dentições. Motivado, assim, por essa certeza, foi capaz de construir uma reflexão filosófico-teológica de invejável vigor especulativo. A grande originalidade de Tomás está no fato de ter elaborado uma metafísica do esse (do ser como ato de existir), superando, desse modo, a metafísica das essências que herdara dos gregos.
Fonte: MATOS, Pd. Elílio de Faria Jr – Artigo – Revista FILOSOFIA Conhecimento Prático – Ed. Escala Educacional, nº 18, pg. 7 e 8 – 2009

De Chirico - Song of Love

Filosofia e Teologia, fé e razão:

Metodologia e objeto

Sabemos que Teologia e Filosofia são ciências distintas, quer pelo método quer pelo objeto. Enquanto a Filosofia procede por raciocínios lógicos, a partir dos primeiros princípios da razão pura e tem como objeto primeiro o mundo e o homem, tais como se apresentam ao estudioso pela experiência, a Teologia, por sua vez, procede a partir do ato de fé na revelação divina, procurando um certo entendimento dessa fé, e o seu objeto primeiro é o próprio Deus tal como se dá a conhecer em sua autorrevelação. Assim, a Teologia pode ser dita ciência da fé, enquanto a Filosofia é a ciência da razão.

Tal distinção, contudo, não leva necessariamente a uma separação entre as duas ciências. Alias, ao longo da história da Igreja, pode-se verificar que Teologia e Filosofia muitas vezes se mostraram em íntima relação.

Sejam citados aqui o período patrístico e escolástico, que testemunham a relação harmoniosa entre teologia e filosofia, estabelecida na obra fecunda de um Santo Agostinho (+ 430) ou de um Santo Tomás de Aquino (+1274). Não podemos dizer, entretanto, que faltem autores na modernidade ou na contemporaneidade que procuraram correlacionar as duas ciências; sejam lembrados João de Santo Tomás, o Cardeal Cajetano, Leibniz Maritain, Étienne Gilson, Josef Pieper etc.

Uma pergunta surge: Por que Teologia e Filosofia, sendo distintas, podem se relacionar? Na verdade, Teologia e Filosofia podem realizar um frutífero conúbio na medida em que seu objeto coincide, ainda que parcialmente. Sim; a Teologia, como já se disse, tem por objeto primeiro Deus, tal como ele mesmo se deu a conhecer pela revelação judaico cristã; o homem e o mundo caem também sob a consideração da teologia na medida em que se relacionam com Deus ou são vistos sob a luz de Deus revelador. A Filosofia, por sua vez, como já notamos, tem como objeto primeiro de sua consideração o mundo e o homem percebidos pela experiência, mas pode chegar ao ABSOLUTO – DEUS – como fundamento radical do mundo e do homem.

Desse modo é fácil ver que tanto a Teologia como a Filosofia tratam de Deus, do mundo e do homem. A primeira, por um movimento de descida (Katabasis), vai de Deus até o homem e o mundo considerados sob a luz da fé na autorrevelação de Deus; a segunda, por um movimento de subida (Anabasis), vai do mundo e do homem até Deus, considerado sob a luz da razão interrogante.

E é exatamente essa comunidade de objeto que torna possível a relação entre ambas.

Umas das sistematizações mais consistentes da relação entre fé e razão encontra-se na grandiosa obra de Santo Tomás de Aquino. O Aquinate viu bem que, sendo Deus, ao mesmo tempo, o criador da ordem racional e o autor da fé, não poderia haver contradição de iure entre ambas, preservadas as devidas dentições. Motivado, assim, por essa certeza, foi capaz de construir uma reflexão filosófico-teológica de invejável vigor especulativo. A grande originalidade de Tomás está no fato de ter elaborado uma metafísica do esse (do ser como ato de existir), superando, desse modo, a metafísica das essências que herdara dos gregos.

……………………………………

Fonte: MATOS, Pd. Elílio de Faria Jr – Artigo – Revista FILOSOFIA Conhecimento Prático – Ed. Escala Educacional, nº 18, pg. 7 e 8 – 2009